Após o
aprofundamento nas investigações sobre a morte de uma mulher ocorrida no
final de 2015, a delegacia de Cocal, a 226 km de Teresina, pode ter
desvendado o primeiro caso de feminicídio no Piauí no qual uma mulher é
indiciada. E mais: uma filha acusada de matar a mãe após vários meses em
que a vítima, doente, teria sido torturada.
O caso teve
repercussão na imprensa no final do ano passado quando a Polícia Civil
interrompeu o velório de Francisca da Silva Carvalho, de 69 anos, e
deteve a sua filha, Maria de Fátima Carvalho, de 43 anos. Na época, ela
havia sido denunciada por supostas agressões. O corpo da idosa foi
encaminhado para o IML de Teresina para exames cadavéricos, que teriam
comprovado o crime, segundo a polícia.
De acordo
com a delegada Daniela Dinali, a suspeita na época negou o crime e
acabou sendo liberada por falta de provas. Entretanto, com o resultado
do laudo cadavérico complementar, ficou comprovado que a vítima havia
sido assassinada. “Ela vinha sendo agredida e no dia que faleceu, tinha
hematomas com coloração diferente no rosto. Na noite da última surra,
enquanto batia, ela falava ‘porque você não morre logo’, e chegou a
jogar cadeira de rodas em cima dela, ficar sobre ela e esfregar o rosto
no chão e uma pessoa interviu”, declara a delegada.
Com as
provas reforçadas pelo exame cadavérico e diversos depoimentos de
familiares e vizinhos no quais confirmam as agressões da filha contra a
mãe, foi feito um pedido de prisão preventiva e Maria Francisca foi
presa nesta quarta-feira (13). “O laudo comprovou a materialidade de
crime de homicídio e com os depoimentos ficou claro o [crime de]
feminicídio. A própria autora disse em depoimento que queria que [a mãe]
morresse porque ela a aperreava. 12 testemunhas disseram que ela
espancava sempre a mãe”, relata Dinali, destacando que a mulher será
indiciada por homicídio qualificado com quatro qualificadores: motivo
torpe, feminicídio, meio insidioso e cruel, e pelo fato da mãe ser uma
senhora vulnerável e não tinha como reagir.
A delegada
relata que esse foi o primeiro caso de feminicídio no Piauí no qual tem
uma mulher como suspeita e ainda com a vítima sendo mãe.




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