Hoje, poderá se repetir com a Lava Jato?
Pode, sim! Que não duvidemos de nada! Os políticos não mudaram e a
política nacional permanece a mesma
por Miguel Dias Pinheiro, advogado
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Se a
“Operação Lava Jato” foi gestada nos moldes da “Operação Mãos Limpas””
(Mani Pullite) da Itália, então se comprovada a participação de
autoridades flagradas com a corrupção e com a lavagem de dinheiro será
um bom teste para se saber realmente quais os objetivos desse combate à
corrupção no Brasil. Saberemos, enfim, que não é – e nem será - uma
investigação seletiva, apenas contra um lado
político-partidário-nacional. E se for, fechem a “Lava Jato”!
Há 12 anos,
como nos conta Kelli Kadanus, o juiz federal Sérgio Moro escreveu um
artigo sobre a “Operação Mãos Limpas” da Itália. Na época, em 2004, Moro
concluiu que o caso italiano poderia vir a ter uma versão nacional. “No
Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais
necessárias para a realização de ação judicial semelhante” - disse.
Em que pese
dizer que a “Mãos Limpas” poderia ser como exemplo, a semente no Brasil
já havia sido plantada pelo próprio juiz: o “Escândalo do Banestado”. O
maior escândalo de corrupção no país, com um “rombo” de aproximadamente
R$ 180 bilhões de reais.
Atualizado para os dias atuais, representaria
aproximadamente R$ 1 trilhão de reais, que na época contaminou a nobreza
política nacional do sul ao sudeste. Porém, para infelicidade geral da
Nação, não deu em absolutamente nada. A não ser condenações de pessoas
do “baixo clero”. Os criminosos Alberto Youssef, Marcos Valério, Toninho
da Barcelona e Nelma Kodama, a doleira do dinheiro na calcinha, entre
outros, tiveram seus nomes vinculados àquele “esquemão”. Se tivessem
sido punidos exemplarmente com os empreiteiros e os políticos
denunciados, a maioria da nobreza paulista, carioca, paranaense e
mineira talvez não tivesse nem inventado o “mensalão” e a Lava Jato.
O doleiro
Alberto Youssef, por exemplo, hoje preso na Lava Jato, era um velho
conhecido do “Escândalo do Banestado”. Naquela corrupção também
desencadeada no Paraná ocorreram delações premiadas e acordos de
cooperação internacional foram realizados. Mas, tudo foi enterrado de
forma acintosa na transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o
governo Lula.
Hoje, poderá
se repetir com a Lava Jato? Pode, sim! Que não duvidemos de nada! Os
políticos não mudaram e a política nacional permanece a mesma. Afinal de
contas, começaram a aparecer novas listas da Odebrecht apontando para
praticamente os mesmos do “Escândalo Banestado”, da tríade Rio-São
Paulo-Minas, que agora são reforçadas pela “lama” envolvendo autoridades
constituídas em diversas instituições.
Em seus
despachos e sentenças, Moro usa como referência a operação italiana para
defender a colaboração premiada de réus nos processos da Lava Jato.
Ainda em suas decisões, o juiz tem se reportado constantemente para o
que ele chama de “grito da sociedade”. Segundo alerta, tanto na Itália
quanto no Brasil parece que o cidadão comum cansou do negócio viciado.
Apenas com um detalhe: na Itália os vícios continuaram. E até em maior
número, inclusive envolvendo autoridades da “Mãos Limpas” que foram
picadas pela “mosca azul” da política partidária. E no Brasil? Bem,
somente o tempo vai dizer. Claro!
Com um olhar
crítico, o professor em Direito Fundamental e Democracia pela Unibrasil,
Rodrigo Faucz, alerta para uma possível consequência negativa da Lava
Jato e que precisa ser evitada. “O crime é refinado, ele se reinventa,
ele fica cada vez mais inteligente. Na Itália isso aconteceu e o meu
medo é que aqui no Brasil isso poderia acontecer também”, diz. No
Brasil, avaliam especialistas, é cedo ainda para se falar quais
consequências a Lava Jato poderá deixar. “A história vai dizer se a Lava
Jato acabou trazendo algo efetivamente de positivo ou não” - avalia
Faucz.
Assim, é
deveras preocupante a informação divulgada pela jornalista Mônica
Bergamo, de que estaria em curso no país uma “operação abafa” devido aos
novos “listões” abrangentes e explosivos que podem advir da Odebrecht,
que denotam, provam e comprovam que há tempos o Brasil estava convivendo
com uma “democracia vendida” e uma “democracia comprada” por políticos e
empresários, respectivamente.
Pelo menos
por tudo o que já contribuiu de positivo para a sociedade brasileira,
Pelo menos por tudo o que já
contribuiu de positivo para a sociedade brasileira, com certeza a Lava
Jato cumpriu a sua maior e melhor tarefa: desnudou o empresariado e
despiu vestais da política nacional.
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