
O ex-presidente do Supremo foi chamado para selfies após votar na 17ª Zona Eleitoral no Rio, em outubro passado. Quatro meses antes, aparecia com 26% de intenções de voto para a Presidência da República, mesmo nem sendo candidato. Moro, por onde circula, é ovacionado, seja em uma livraria em São Paulo ou ao entrar em um táxi após passeio por um shopping de Curitiba.
Desde que assumiu o comando das investigações da Lava Jato, graças às sentenças que levaram os empreiteiros mais importantes do país para a cadeia, Moro foi eleito “personalidade do ano” pelo jornal “O Globo” e pela revista “IstoÉ”; recebeu homenagem do músico Raimundo Fagner, que vem compondo uma canção inspirada no juiz; e autorizou a Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda a customizar um personagem com seu rosto para o Carnaval 2016.
“Isso é perigoso. Quando o juiz cumpre a lei, aplica a Constituição, ele não está fazendo mais que a sua obrigação. Em qualquer país do mundo, seria uma coisa normal. Mas, no Brasil, o que tem coragem de colocar os poderosos na cadeia vira herói”, opina o conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Minas Mário Lúcio Quintão.
Além da admiração de quem o trata como “celebridade”, Moro compartilha com Barbosa polêmicas e críticas com relação à condução de seu trabalho. O paranaense tem sido alvo de críticas de advogados de réus que reclamam que Moro pede prisão preventiva de seus clientes “sem necessidade” e usa a pressão da cadeia como catalisador para que eles assinem acordos de delação premiada e, com isso, entreguem ramificações escondidas do esquema.
Um deles é Marcelo Leonardo, que defende Sérgio Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior. O criminalista questiona o mérito de Moro para julgar as ações e diz que ele concentra os julgamentos no Paraná, quando parte dos casos deveria ir para o Rio de Janeiro ou São Paulo. Leonardo aponta também cerceamento de defesa e critica a “midiatização” do juiz. “Não acho que isso seja bom para o Judiciário. Para ser independente, imparcial, que é o que se espera dos juízes, não é função dele ir atrás de popularidade”, alfineta.
Coube à Associação dos Juízes Federais (Ajufe) sair em defesa de Moro. Em nota, o presidente da entidade, Antônio César Bochenek, diz que apoia de forma irrestrita o trabalho do juiz e que suas decisões “são devidamente fundamentadas e em consonância com a legislação penal brasileira e o devido processo legal”.
Mãos Limpas
Inspiração. A investigação de um esquema de corrupção na Itália nos anos 90 é inspiração para Sérgio Moro, que estudou o tema a fundo. A base da operação foi o uso da delação premiada dos envolvidos.
Números da operação Lava Jato
Delações premiadas: 17 acordos foram firmados.
Fases: 15. A última, na quinta-feira, 2 de julho, culminou com a prisão do ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada.
Empresas: 16 envolvidas.
Desvio: R$ 19 bilhões, conforme últimos dados.
Parlamentares: 47 políticos são alvo de 28 inquéritos no Supremo.
Fonte: JL/OTempo
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