A exclusão social das pessoas que vivem sem energia elétrica é tamanha que Cipriana nem sequer ouviu falar em Silvio Santos ou em Willian Bonner

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Por pelo menos 50 anos, moradores mais antigos das comunidades Roça Nova, zona rural do município de São Francisco de Assis do Piauí, Abelha Branca e Gado Bravo, zona rural do município de Paulistana, e Jacobina esperam energia elétrica e se viram para sobreviver.
A dona de casa Cipriana Isabel de Alencar, 77, diz que chegou a Roça Nova quando era jovem e perdeu as contas de quantas promessas sobre a chegada da energia elétrica escutou durante os 50 anos que mora na mesma casa.
Apesar das promessas descumpridas, existe um contador de energia na parede em frente da casa dela.
A exclusão social das pessoas que vivem sem energia elétrica é tamanha que Cipriana nem sequer ouviu falar em Silvio Santos ou em Willian Bonner. "Não sei quem é. Novela? Eu não assisto à televisão", disse.
Água gelada, refrigerante e cerveja são itens que vivem na imaginação dos excluídos da energia elétrica.
Para diminuir a temperatura da água, eles usam potes de barro no chão. Já refrigerantes e sucos de saco "descem quente". Cerveja não existe nos bares. A aguardente é a bebida alcoólica mais consumida.
O comerciante Porcídio Fausto de Alencar, 44, usa o terraço e a sala da casa como bar para tirar o sustento da família. Na porta da casa dele, existe um adesivo da antiga Cepisa, hoje Eletrobras Piauí, prometendo energia elétrica para 18 de junho de 2010. O serviço seria executado pela empresa terceirizada Majestosa Engenharia.
"Botaram os postes em janeiro de 2014. Prometeram voltar com 30 dias e até hoje nada", contou Alencar.
Ele diz que se irrita em pensar que poderia aumentar as vendas caso tivesse energia elétrica. As únicas bebidas do bar são cachaça e refrigerante –servido em temperatura ambiente.
No povoado Campestre, em São Francisco de Assis do Piauí, moradores contaram que a empresa Stec, de Petrolina (PE), estava instalando a rede, mas em março de 2014 os trabalhos pararam. Em fevereiro, o caminhão da empresa passou recolhendo materiais que foram deixados na obra e os transformadores instalados nos postes.
"O pessoal da empresa veio retirar os transformadores dizendo que a empresa não tinha mais dinheiro para concluir a rede. Ter um transformador no poste perto de casa sem energia não tem sentido", disse Albertino da Silva Gomes, 31.
Respostas
A Eletrobras Piauí informou que até 2014 já levou energia elétrica para 169 mil casas. Segundo a empresa, o número ultrapassa a meta no Estado estipulado pelo governo federal, que era de levar energia elétrica para 150 mil residências.
A Eletrobras justificou que, durante os trabalhos, foram descobertos inúmeros imóveis que não estavam catalogados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A gerência do programa Luz para Todos no Piauí informou que lançou um certame licitatório para contratar uma empresa para a realização de obras nos 224 municípios do Piauí e a ampliação da rede de distribuição de energia, incluindo as comunidades Roça Nova, zona rural do município de São Francisco de Assis do Piauí, e Abelha Branca, zona rural do município de Paulistana. Porém a empresa não informou a data da retomada das obras.
Sobre o abandono de empresas terceirizadas das obras de ampliação da rede em São Francisco de Assis do Piauí, a Eletrobras justificou que a paralisação ocorreu devido ao término da vigência do contrato.
"Contudo a obra será retomada tão logo haja a contratação da nova empresa vencedora da licitação para o lote do município de São Francisco de Assis do Piauí."
Fonte: JL/Uol
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