Eduardo Cunha rejeitou o convite com o argumento de que já deu explicações ao STF

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Cunha
rejeitou o convite para depor com o argumento de que já se explicou
sobre o assunto numa petição ao ministro Teori Zavascki, relator do caso
no Supremo Tribunal Federal (STF). Na petição, Cunha nega qualquer
vínculo com as fraudes na Petrobras e pede o fim das investigações
contra ele. Para Reginaldo de Castro, advogado de Cunha, o presidente da
Câmara já deu todas as explicações ao relator do caso e, portanto, não
precisaria se repetir diante de um delegado da Polícia Federal.
“O indiciado
pode, se quiser, oferecer esclarecimentos, mas não é obrigatório. No
caso do Eduardo Cunha ele já fez esse esclarecimento no processo. Ele se
julga dispensado de fazer novos esclarecimentos e recusou a faculdade
de fazê-lo para as autoridades policiais”, disse Castro.
Cunha foi
chamado para depor por email. O escrivão André Luiz Acosta dos Santos
enviou uma curta mensagem aos advogados do presidente da Câmara com o
convite para o depoimento. O escrivão até sugeriu para o deputado
prestar depoimento às 14 horas do último dia 7. “Senhor presidente da
Câmara dos Deputados, em virtude da Operação Lava Jato gostaria de
convidar Vossa Excelência a comparecer nesta sede da Polícia Federal, a
fim de prestar esclarecimentos no Inquérito do STF de nº 3983,
registrado na Polícia Federal sob o RE 007/2015”, diz cópia do
documento.
No mesmo dia,
Reginaldo de Castro respondeu que não seria possível o presidente da
Câmara prestar depoimento à PF. “Apesar de condicionar a apresentação de
esclarecimentos à vontade do investigado, o Deputado Eduardo Cunha já
os prestou diretamente ao Ministro Relator, através de petição
protocolada em 23.03.2015”, escreveu o advogado. Segundo ele, “a oitiva
do deputado pela autoridade policial se mostra desnecessária, seja pelo
fato de o ministro relator ter condicionado a apresentação de
esclarecimentos ao desejo do investigado, seja por estes já terem sido
apresentados por escrito nos autos do inquérito 3983”.
Investigadores
lamentaram a decisão do presidente da Câmara. Quando a decisão de Teori
de abrir inquérito contra Cunha e outros parlamentares foi tornada
pública, o deputado reclamou do procurador-geral da República, Rodrigo
Janot. Segundo ele, o procurador teria se precipitado ao pedir abertura
de inquérito sem antes ouvir os investigados. Caso mantenha a decisão de
não prestar depoimento, Cunha poderá ser interrogado ainda se, ao final
do inquérito, o procurador-geral da República denunciá-lo ao STF.
A reação de
Cunha contrasta com a decisão de outros parlamentares investigados na
Lava Jato. O deputado Luiz Carlos Heize (PP-RS) e senadores Humberto
Costa (PT-PE), Lindberg Farias (PT-RJ), entre outros políticos com foro,
foram chamados e já prestaram depoimentos à PF.
Cunha foi
acusado de envolvimento com o esquema de desvios de dinheiro da
Petrobras pelo doleiro Alberto Youssef. Num dos depoimentos da delação
premiada, prestado em outubro do ano passado, Youssef disse que o
executivo Júlio Camargo, um investigados na Lava Jato, teve que pagar
propina para políticos do PMDB, entre eles Eduardo Cunha, para acertar
um contrato de afretamento de navios entre a empresa coreana Samsung e a
Petrobras.
“Que para
viabilizar a assinatura do contrata com a Samsung, foi demandado que
Júlio Camargo repassasse para o PMDB percentual que o declarante não
sabe precisar, mas que se destinava a pagamento de vantagem indevida a
integrantes do partido PMDB, notadamente o deputado federal Eduardo
Cunha”, disse Youssef, conforme relato da polícia. Os pagamentos eram
feitos, conforme as investigações, em transações intermediadas por Júlio
Camargo e pelo lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado
como operador do PMDB no esquema.
Youssef
relatou ainda que, quando os repasses da propina a Fernando Baiano foram
suspensos pela Samsung, Eduardo Cunha recorreu a dois deputados para
apresentar requerimento de informações numa das comissões da Câmara
sobre os contratos da empresa com a Petrobras. Os requerimentos cobravam
informações também das empresas Mitsue e Toyo, representadas por Júlio
Camargo.
Documentos
apreendidos pela PF informa também que entre 2011 e 2012, a organização
de Youssef mandou para beneficiários do esquema no Rio de Janeiro R$ 13
milhões, US$ 1 milhão e 75 mil euros. Parte do dinheiro foi entregue
pelo policial Jayme Alves de Oliveira Filho na casa do advogado
Francisco José Reis, ex-assessor do deputado estadual Jorge Picciani
(PMDB), do grupo político de Cunha, segundo relato do policial em um dos
inquéritos sobre as fraudes na Petrobras.
Fonte: JL/Gazeta do Povo
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