
Os atentados cometidos por crianças no país estão se tornando frequentes e vem chamando a atenção pela brutalidade do método. Os ataques são orquestrados pelo grupo jihadista Boko Haram, milícia radical islâmica que quer criar um califado no norte e nordeste da Nigéria. O atentado de Potiskum é mais uma evidência do gigantesco desafio de segurança do país, que realizará, em 28 de março próximo, eleições presidenciais e legislativas.
O presidente Goodluck Jonathan, que venceu o pleito em 2011, encontra-se em uma dura disputa eleitoral contra o ex-ditador Muhammadu Buhari para tentar um novo mandato. Inicialmente, a votação estava prevista para 14 de fevereiro, mas o Exército determinou um adiamento de seis semanas, apoiado pela Comissão Eleitoral Nacional, para tentar melhorar a situação de segurança no país.
O ataque deste domingo foi o segundo no mercado Kasuwar Jagwal, que vende produtos eletrônicos e de telefonia celular. Em 11 de janeiro, o local foi alvo de um atentado executado por dois adolescentes. Seis pessoas morreram, e 37 ficaram feridas. Um dia antes, dezenove pessoas haviam perdido a vida em um atentado cometido por uma menina na principal praça de Maiduguri, nordeste do país.
Os dois ataques foram atribuídos ao grupo jihadista Boko Haram, que iniciou sua ofensiva contra a população civil e tropas do governo em 2009 já deixou mais de 10.000 mortos e 1,5 milhão de deslocados. O conflito se estendeu a vários países da bacia do lago Chade. O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que visita os três países de fronteira com a Nigéria (Chade, Camarões e Níger), destacou neste domingo a necessidade do governo de Abuja se comprometer com a luta contra os extremistas do Boko Haram.
"É necessário contar com o total compromisso da Nigéria para lutar contra o Boko Haram", declarou, em entrevista coletiva concedida em Niamei, capital do Níger. No sábado, em N'Djamena, capital do Chade, Fabius visitou uma equipe de coordenação na luta contra o terrorismo, com militares chadianos, camaroneses, nigerinos e franceses, mas sem representante nigeriano. O debate sobre a criação de uma força militar regional conjunta esbarra na atitude da Nigéria, que minimiza o perigo real do Boko Haram.
Fonte: JL/Veja
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