quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CRIME PASSIONAL - Primeira-dama foi assassinada enquanto dormia, diz delegado

Segundo o delegado, caso sejam julgados culpados pelo homicídio, José de Arimateia e Noêmia da Silva podem ser punidos com até 30 anos de prisão

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gerente de Polícia do Interior da Secretaria Estadual de Segurança do Piauí, delegado Willame Moraes, disse que foi comprovado que o prefeito de Lagoa do Sítio (240 km de Teresina, José de Arimatéia Rabelo, o José Simão, é o autor do tiro na cabeça que matou a primeira-dama Gercineide de Sousa Monteiro Rabelo, de 34 anos, na madrugada desta terça-feira.

O delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Riedel Batista, afirmou que o inquérito sobre a morte de Gercineide Monteiro foi concluído com o indiciamento por homicídio qualificado do prefeito José de Arimatéia Rabelo, como autor do disparo, e participação da empregada do casal, Noêmia Maria da Silva, de 46 anos, com quem tinha um caso que dura dois anos.
“Os dois serão indiciados por homicídio duplamente qualificado pelos seguintes agravantes: vítima indefesa e motivo fútil”, falou o delegado geral Riedel Batista.
Segundo ele, caso sejam julgados culpados pelo homicídio, José de Arimateia e Noêmia da Silva podem ser punidos com até 30 anos de prisão.
Willame Moraes afirmou que vários vizinhos de José de Arimateia e Gercineide Monteiro acionaram a polícia depois que o prefeito anunciou que sua mulher havia sido assassinada. Após exames de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML), na capital piauiense, José de Arimatéa ficou preso em uma sala na Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter) e Noêmia Maria da Silva na Penitenciária Feminina de Teresina.
Ao chegar na Delegacia de Polícia Civil para prestar depoimento, José de Arimateia disse que a assassina da mulher era a empregada doméstica de sua residência. “Eu não matei minha mulher. Quem matou está preso”, declarou José de Arimateia.
De acordo com Willame Moraes, o prefeito José de Arimateia, matou a mulher por ciúmes, ao suspeitar que era traído. As investigações mostram também que a empregada doméstica do casal Noêmia Maria participou do homicídio ao esconder a arma do crime.
“José de Arimatéia tinha muito ciúme da mulher e a matou com um tiro no ouvido quando ela estava dormindo. Ele não disse que ela estava morta, mas que havia sido assassinada. Ele gritava que haviam matado Gercineide, mas o corpo não apresentava sinais de violência porque ela foi morta com um tiro no ouvido enquanto dormia. Quando chegamos, estranhamos também porque ele não acionou atendimento médico quando encontrou a mulher morta", declarou Moraes.
Para ele, as mentiras que o prefeito José de Arimatéia contou em depoimento foram fundamentais para comprovar a autoria do crime. “Ele mentiu sobre o último momento em que falou com a mulher e sobre ter mantido relações sexuais com Gercineide no dia anterior. Na tentativa de convencer a polícia de que o casamento dos dois não tinha problemas, o prefeito disse que fez sexo com ela no dia anterior ao da morte, mas a perícia confirmou que não havia qualquer sinal de relações sexuais recentes no corpo da primeira-dama”, acrescentou o gerente de Policiamento do Interior.
A participação da empregada no crime, segundo o delegado William Moraes, foi apontada pelo próprio prefeito que confessou que matinha uma relação extraconjugal com Noêmia da Silva. "Ele disse que o caso era recente, mas a própria Noêmia disse que eles mantinham relações amorosas na própria casa há cerca de dois anos. O crime ocorreu de madrugada, a empregada não estava em casa. Ela teria sido responsável por esconder a arma que foi achada no forro da casa. O prefeito disse que era ameaçado pela amante, que tinha inveja da primeira-dama. Além destas, outras contradições contatadas pela perícia, também levam a autoria do crime ao prefeito”, falou Willame Morais.
"O laudo apontou que a vítima não manteve relação sexual recente. Ele disse que era apaixonado, mas tinha uma amante. Ele viu a esposa morta e não procurou socorrê-la, saiu gritando dizendo que ela foi assassinada. Embora tivesse chorando, parecia calmo por uma coisa que disse não ter feito. Ele forjou álibi Saiu de casa às 5h40, existem câmeras no caminho do sítio dele. Passou na casa da tesoureira para tratar de assuntos da prefeitura. Tudo isso ocorreu, mas ele esqueceu que a polícia não trabalha apenas com provas dadas", disse.
O delegado Willame Moraes comentou sobre boatos de que Gercineide Monteiro também manteria uma relação extraconjugal. "Havia boato de que ela estaria traindo o prefeito. Ele mesmo confirmou o boato e disse que já tinha superado a crise e tudo já havia sido resolvido", revelou Willame Costa.
Willame Moraes informou ainda que o prefeito declarou em depoimento ter acordado Gercineide Monteiro, 5h da terça-feira para perguntar onde estava a chave do seu carro e, em seguida, saiu para o sítio do casal, localizado a 20 minutos da residência onde moravam, deixando primeira-dama em casa.
“Isso é impossível de ter acontecido porque os exames da perícia comprovam que ela já estava morta no início da madrugada, por volta de 1h. Às 5h da manhã ela já estava morta, ele não poderia ter falado com ela a essa hora”, declarou Willame Moraes, em entrevista coletiva para os veículos de comunicação. Ele acrescentou Noêmia da Silva mantinha um caso amoroso de dois anos com o prefeito José de Arimateia, apesar de ser casada, e o ajudou no assassinato escondendo a arma usada no assassinato, um revólver calibre 38.
“Em seu depoimento, Noêmia Maria falou que José de Arimatéia teria dito a empregada que queria se separar de Gercineide para ficar com ela”, adiantou Willame Moraes.
Em seu depoimento na Delegacia Geral da Polícia Civil, onde chegou e saiu com um capuz na cabaça, Noêmia Maria da Silva afirmou que chegou à residência do prefeito às 5h30 da manhã de terça-feira e que José de Arimatéia a entregou a arma do crime, contando que havia matado Gercineide Monteiro e que ela deveria esconder o revólver. Noêmia da Silva contou que enrolou o revólver em uma toalha e escondeu entre o forro e o teto de um dos cômodos da residência do prefeito e da primeira-dama. Willame Moraes informou que Noêmia da Silva foi quem mostrou para a polícia onde estava a arma quando o prefeito tentou acusá-la de ser a autora do assassinato e também entregou o lençol usado como silenciador e para esconder as digitais do assassino.
“Quando constatamos que a mulher havia sido morta, percebemos também que havia sido alguém de dentro da casa. O prefeito foi levado para ser interrogado e negou desde o primeiro momento, mas não temos mais dúvidas de que ele é o autor. O prefeito José de Arimateia revelou ter um caso com a empregada da casa para poder incriminá-la. Assim que a polícia chegou à casa e a interrogou, Noêmia entregou a arma e contou o que havia acontecido e os depoimentos de testemunhas a polícia confirmou também que a empregada chegou à casa somente às 5h30, quando a vítima já estava morta.
"Fomos acionados pela delegado regional de Valença, Maycon Braga, e em primeiro momento o assunto era tratado como morte natural. O prefeito e sua irmã estavam no local. Ele disse que chegou em casa por volta das 8h20 e quando entrou no quarto para tomar banho, viu o corpo da mulher frio, em cima da cama e saiu gritando dizendo que ela havia sido assassinada. Esse relato também foi confirmado pelas testemunhas", explica o delegado.
Willame Costa disse que entre a hipótese de suicídio foi especulada, mas descartada com laudo pericial. "Ela tinha um orifício de entrada no ouvido esquerdo e o projétil foi alojado do lado direito do rosto, não transfixou. Além disso, a vítima era destra", declarou.
Willame Moraes falou que o prefeito José de Arimateia ficou por quatro horas na cena do crime e o relato do gestor, indispensável para descobrir contradições. "Ele disse que passou o fim de semana em Teresina com os filhos. Retornou pra casa no último dia 9 e, antes de chegar em casa, passou em Barro Duro e e Valença. Na noite do mesmo dia, jantaram, foram para o quarto, mantiveram relação sexual e dormiram. Por volta das 5h40, ele disse que foi ao sítio, mas não encontrou a chave do carro e acordou a esposa. Em seguida, deu um beijo no rosto dela e e saiu. A versão dele entra em contradição pois o exame feito no estômago e a rigidez do corpo da vítima revelaram seria impossível que a morte tenha ocorrida após 5h da manhã como ele disse. A morte ocorreu cerca de quatro horas do jantar, que foi por volta das 21h30 de segunda-feira, ou seja 1h da manhã", disse o delegado Willame Moraes.
Após interrogar novamente o prefeito José de Arimatea Rabelo e a empregada doméstica Noêmia da Silva , o delegado Willame Costa, acredita que ambos tenham planejado o crime. “Foi ele quem matou e a empregada disse que apenas guardou a arma, mas achamos que ela participou do planejamento. Eles mantinham um relacionamento amoroso há cerca de dois anos”, afirmou o delegado sobre o caso dos dois.
Riedel Batista disse que o crime foi passional. "Tudo indica que foi crime passional. O prefeito foi indiciado por homicídio duplamente qualificado por a vítima estar indefesa e pelo motivo fútil".  O advogado Lucas Villa, que defende o prefeito, disse que vai analisar os depoimentos para preparar a defesa.
Riedel Batista informou que a arma usada no crime foi um revólver calibre 38 que foi apreendido e o lençol usado para abafar o tiro. A empregada doméstica do casal, Noêmia Maria da Silva Barros, 43 anos, ajudou a elucidar o crime ao confessar sua participação no assassinato. "A investigação se estendeu pela madrugada. Todas as evidências chegaram em crime passional. Foi feito um trabalho muito criterioso, com participação da perícia e do IML, que foi fundamental na descoberta da hora da morte. Não houve sinais de arrombamento. Nós descartamos a entrada de pessoas estranhas na casa. À noite, com o andamento das investigações, nós conseguimos apreender a arma de fogo utilizada e outros objetos relacionados ao crime", falou Riedel Batista.
José Arimateia e Gercineide Monteiro eram casados há 14 anos e tinham dois filhos, um de 12 e um de 6 anos de idade. As crianças estão com a família da vítima, que está completamente transtornada com a morte da mulher. O corpo de Gercineide Monteiro foi sepultado na tarde de quarta-feira no Cemitério de Lagoa do Sítio.
Fonte: JL/MN

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