Arinaldo Leal, presidente da APPM, diz que governo federal transfere responsabilidade sem a contrapartida financeira
Os
prefeitos do Piauí se reúnem amanhã na sede da Associação Piauiense de
Municípios (APPM) para estudar uma representação na Justiça contra o
governo federal para não pagar o novo piso salarial do professor, fixado
anteontem em R$ 1.917,78. Os prefeitos alegam que o governo federal
está invadindo a competência dos municípios ao estabelecer despesas para
as prefeituras sem repassar os recursos correspondentes.
O
governo do Estado também admite que não tem como bancar o novo piso dos
professores estaduais. Anteontem, houve uma reunião com todos os
secretários estaduais de Educação, em Brasília, alegando que a maioria
dos estados não têm recursos para pagar o reajuste salarial. O impacto
financeiro é incompatível com as finanças estaduais. "O dinheiro
disponível no Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização do Magistério) não dá para pagar o impacto
financeiro do reajuste", disse o secretário de Educação do Piauí, Helder
Jacobina, através de sua assessoria.
Segundo ele, o Estado
já cobre entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões todo mês, com recursos do
tesouro estadual, os valores do Fundeb. O governador Wellington Dias
disse que não tem como pagar, mas frisou que vai ter que pagar. Ele
disse estar entre determinações legais, da Lei de Responsabilidade
Fiscal, e a lei que ajustou o piso dos professores. "Temos que buscar
alternativas para cumprir o que foi determinado. Não é uma tarefa fácil,
porque não temos condições financeiras. Mas temos que buscar soluções",
explicou.
A rede estadual de ensino do Piauí tem 23 mil
professores, em vários níveis. O Fundeb repassa mensalmente R$ 50
milhões para o Estado, e sempre o governo do Estado tem que complementar
o pagamento da folha com o aporte de até R$ 10 milhões. O presidente da
APPM, Arinaldo Leal (PSB), disse que há tempos os valores do Fundeb não
cobrem as despesas da Educação nos municípios. "Não temos condições de
pagar este piso. A nossa situação já é crítica. Quase todos os prefeitos
do Piauí estão com problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal e os
repasses do Fundeb não suficientes para fechar as contas da Educação",
deabafou.
Arinaldo informou que foi feita uma projeção dos
valores de repasse do Fundeb para 2015. Ele disse que fizeram uma
amostragem em 15 municípios para avaliar o percentual do aumento do
Fundeb em relação ao aumento do salário dos professores. "O Fundeb, por
esta projeção, tem reajuste variável entre 5% e 7%, e chega no máximo a
9% em alguns municípios. Por exemplo, no município de Floriano o
reajuste do Fundeb é de apenas 2%, mas o aumento do salário dos
professores foi de 13%. Isso causa um desequilíbrio nas contas",
argumentou o presidente.
Arinaldo Leal, que é prefeito de Vila
Nova do Piauí, reclamou que o Governo Federal impõe o aumento de
salários, que os prefeitos têm que pagar, mas não faz as contas para
repassar os valores correspondentes às prefeituras. "Consideramos que
isso é uma invasão de competência e vamos acionar a Justiça. Estamos
avaliando a situação, na sexta (amanhã) nos reunimos, e vamos estudar a
melhor forma para isso. É muito difícil pagar este reajuste, e ainda tem
as implicações na Lei de Responsabilidade Fiscal. Tudo recai nas costas
dos prefeitos", disse o presidente da APPM.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Prefeitos ameaçam não pagar piso do professor
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