Tribunal Superior Eleitoral isentou, por unanimidade, as urnas eletrônicas de todas as suspeitas apresentadas pelo PSDB depois do segundo turno das eleições deste ano
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Tribunal
Superior Eleitoral isentou, por unanimidade, as urnas eletrônicas de
todas as suspeitas apresentadas pelo PSDB depois do segundo turno das
eleições deste ano. Em decisão com mais de 40 páginas, os ministros do
TSE rebateram todas as questões apresentadas pelos tucanos, entre elas a
de que os cidadãos brasileiros foram às redes sociais demonstrar sua
descrença quanto à confiabilidade da urna eletrônica.
“A mera
alegação genérica quanto à existência de ‘denúncias das mais variadas
ordens’, desprovida de provas ou indícios de irregularidades no processo
de apuração e totalização dos votos, é insuficiente para abalar a
segurança e a credibilidade dos sistemas informatizados desenvolvidos
pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sistemas, ademais, utilizados em
várias eleições anteriores, sem que tenham sofrido impugnações que
colocassem em xeque sua confiabilidade”, diz o acórdão, publicado no
último dia 20 de novembro.
O relator,
ministro Dias Toffoli, começou seu voto lembrando que as urnas
eletrônicas são utilizadas há 18 anos e que a informatização do sistema
eleitoral sempre se pautou pelos critérios da segurança e da garantia do
sigilo do voto. Depois de fazer uma breve retrospectiva, o ministro
afirmou que a petição do PSDB não deveria sequer ser aceita porque não
foi apresentada por um advogado do partido e por não apresentar indícios
das irregularidades.
“Em homenagem
à transparência do processo eleitoral, acolhem-se os pedidos para
prestar esclarecimentos e viabilizar a realização das providências
solicitadas”, afirmou. O ministro lembrou que a Lei das Eleições (Lei
9.504/97) prevê diversos meios de fiscalização e controle, todos
acompanhados podendo ser acompanhados pelos partidos, além do Ministério
Público Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil.
O ministro
Gilmar Mendes explicou que é preciso dar atenção a esses questionamentos
feitos pela população porque eles têm uma carga negativa que afeta a
legitimação de todo o processo. “Por isso, devemos dar a devida atenção,
mas não devemos considerar o pedido de esclarecimento uma ofensa às
instituições ou um atentado à democracia. Nada disso! Devemos estar
preparados para prestar essas informações, até porque estamos a falar de
algo elementar, qual seja, da legitimação democrática”, disse.
Em seu voto, o
ministro Henrique Neves rebateu diversas teses que circularam pela
internet e alertou que não se pode acreditar em tudo o que é publicado
na rede mundial de computadores: “Na internet, em tese, Elvis Presley
está vivo, então há ali todos os tipos de informação, como uma, de que
haveria um boletim de urna com quatrocentos votos, com a zerésima”,
afirmou, esclarecendo que a foto de um boletim de urna de Campina Grande
(PB) que apontava uma vantagem fictícia de 400 votos para Dilma
Rousseff antes mesmo da votação começar era uma montagem.
Os ministros
fizeram questão de registrar em acórdão o ponto que trata da não
impressão de comprovantes de votos. De acordo com os ministros, o
assunto já foi definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da
ADI 4.543/DF. “O Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido
de que tal procedimento fere o direito ao sigilo, conferido
constitucionalmente ao cidadão como conquista democrática para se
suplantarem os gravíssimos vícios que a compra e venda de votos
provocavam, vulnerando o regime democrático brasileiro”, diz o acórdão.
O tribunal
também aceitou os pedidos de informações sobre as urnas eletrônicas. Os
ministros decidiram enviar todas os dados requeridos pelo partido, mesmo
observando que muitos desses dados já estavam disponíveis para o
partido. “Todas as diligências requeridas pelo partido já estavam
contempladas pela legislação eleitoral e pelos procedimentos adotados em
todas as instâncias da Justiça Eleitoral. Não há óbice, portanto, ao
seu deferimento”.
Pedido do PSDB
O pedido foi feito três dias depois do primeiro turno, do qual a presidente Dilma Rousseff (PT) reelegeu-se derrotando Aécio Neves (PSDB). O pedido causou mal estar tanto entre os ministros do TSE quanto na comunidade jurídica de forma geral. O partido jamais alegou qualquer problema com as urnas durante o processo eleitoral. Os advogados que atuaram na campanha de Aécio fizeram questão de dizer que não foram consultados sobre o pedido. A petição é assinada pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que também foi o coordenador jurídico da campanha de Aécio, e pelo delegado nacional do partido, João Almeida dos Santos.
O pedido foi feito três dias depois do primeiro turno, do qual a presidente Dilma Rousseff (PT) reelegeu-se derrotando Aécio Neves (PSDB). O pedido causou mal estar tanto entre os ministros do TSE quanto na comunidade jurídica de forma geral. O partido jamais alegou qualquer problema com as urnas durante o processo eleitoral. Os advogados que atuaram na campanha de Aécio fizeram questão de dizer que não foram consultados sobre o pedido. A petição é assinada pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que também foi o coordenador jurídico da campanha de Aécio, e pelo delegado nacional do partido, João Almeida dos Santos.
De acordo com
a petição, “cidadãos brasileiros” foram às redes sociais demonstrar,
“de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da
apuração dos votos e a infabilidade da urna eletrônica”. Nada foi
alegado sobre o primeiro turno das eleições, quando Carlos Sampaio e o
governador Geraldo Alckmin, por exemplo, foram mantidos nos cargos com
votações expressivas.
Na internet,
falou-se de tudo. De fraude a vazamento do resultado antes da divulgação
oficial. Mas não passaram de boatos. O site Consultor Jurídico
acompanhou o processo de totalização dos votos com uma credencial de
acesso amplo a cada dependência do TSE. Tudo transcorreu normalmente e
não houve um indício sequer de interferência humana no sistema
automatizado do tribunal.
"O presidente
do TSE preocupou-se, exageradamente até, em demonstrar a lisura do
processo", relatou o diretor da ConJur Márcio Chaer, que acompanhou a
apuração. Os resultados começaram a ser divulgados às 20h. Um pouco
antes, todos os ministros do TSE foram ao Centro de Divulgação das
Eleições, espaço reservado à imprensa, para acompanhar a divulgação no
mesmo ambiente que os jornalistas.
As
inferências de "vazamento" nasceram de brincadeiras feitas entre os
convidados, de ambos os partidos, e de palpites com base nos números dos
resultados das eleições estaduais que, de início, indicavam a vantagem
do PSDB. O questionamento partidário, nesse contexto, não passa de uma
tentativa de dar vazão a inconformismos.
Fonte: JL/247
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