
O comerciante Eldine Maurício Pereira é um caso raro na cidade. Ele pagou R$ 30 mil pelo seu veículo, valor real do produto, mas conta conhecer pessoas que pagaram até R$ 8 mil pelo mesmo modelo. "Às vezes as pessoas ficam zombando, perguntando por que eu comprei um carro nesse valor, se eles estão compraram um carro melhor do que o meu por R$ 8 mil até R$ 6 mil", contou.
A diferença no preço é um sinal da ação de criminosos especializados em roubar e adulterar a documentação de automóveis. Carros que vêm de grandes centros urbanos são vendidos em pequenas cidades, onde não há fiscalização. As quadrilhas atuam principalmente no Distrito Federal e São Paulo, de onde trazem os carros roubados.
No interior do Piauí, os veículos roubados são vendidos por um preço bem menor que o valor de mercado e alvo são comunidades pobres como na pequena cidade de Coronel José Dias. Muitas vezes os compradores nem desconfiam que por trás do bom negócio estão veículos roubados.
"Eles chegam oferecendo, dizendo que tem um carro barato, mas não dizem que é roubado, só que é de um preço bom. Porque normalmente eles procuram moradores do interior, sabendo que estas pessoas são menos informadas para passar esses carros", declarou o oleiro Jociane Pereira Paz Lima.

A Operação Hircus mobilizou mais de 100 policiais rodoviárias federais e agentes da Polícia Civil. Eles percorreram rodovias e até estradas de terra em mais de 50 cidades no Sul do Piauí e Norte da Bahia. Veículos suspeitos foram parados e revistados, mas alguns foram descobertos em propriedades rurais, como uma picape que estava numa fazenda.
Uma BMW avaliada em R$ 140 mil foi encontrada pelos policiais em São Félix do Coribe, interior da Bahia. O carro foi roubado em maio deste ano em São Paulo. Em seis dias de operação, os policiais apreenderam 110 veículos, 60 deles com documentação falsa. Entre eles, três caminhões pipa, pagos pela Defesa Civil para levar água a famílias que sofrem com a seca.
Ainda durante a ação, 95 pessoas foram detidas. O maior desafio da polícia para acompanhar a velocidade da ação dos criminosos, é conseguir frear a sede de quem quer comprar o bem. "Nenhum dos veículos foi adquirido a força pelos moradores, que acabam aceitando porque eles são oferecidos com desconto de até 40% do valor de mercado. Nós temos que acabar com o mercado consumidor, enquanto houver consumidores disponível e disposto a comprar este tipo de veículo. Então tem que existir uma consciência da população que esse veículo tem origem ilícita, prejudicando alguém", declarou o coordenador da operação Hircus, Cláudio Piazzarollo.
Fonte: JL/G1PI
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