Uma
pessoa vítima de morte violenta foi sepultada sem que fosse realizado o
exame cadavérico porque a viatura do Instituto de Medicina Legal (IML)
de Parnaíba estava sem combustível para ir pegar o corpo e levar para a
realização do exame. O fato só reforça a denúncia de uma crise que se
instalou na Segurança Pública do Estado onde até mesmo a população está
fazendo "vaquinhas" para pagar o combustível das viaturas para que a PM
possa fazer as diligências.
Segundo informações do
portaldocatita, por volta das 19h de sábado(20), na localidade Pedra
Branca, zona rural de Joaquim Pires, um jovem de 18 anos, identificado
pelo nome de Fabrício da Silva, morreu vítima de disparo de arma de
fogo. Há a suspeita de que o jovem tirou a própria vida com tiro de uma
espingarda bate-bucha, porém, o corpo da vítima ficou em sua residência
aguardando a remoção que seria feita pelo IML de Parnaíba, o que não
aconteceu pelo fato da viatura do IML não ter combustível o suficiente
para viajar no resgate de corpos na região. O corpo foi sepultado sem a
perícia da instituição de medicina legal do governo.
Quebrada -
Essa não é a primeira denúncia de falta de estrutura. Em setembro deste
ano, o Instituto Médico Legal de Parnaíba estava com suas duas
geladeiras quebradas e um corpo que estava há sete meses, além de
dezenas de amostras de órgãos e tecidos se estragaram.
O
corpo, que seria doado para a pesquisa, acabou tendo de ser enterrado
como indigente. Entre as mostras armazenadas estavam o útero da
presidiária Isabel Batista da Silva, que morreu em consequência de
queimaduras que atingiram 82% do seu corpo, em julho deste ano. O órgão
seria periciado para verificar se a vítima estava realmente grávida.
Também havia várias mostras de vítimas fatais de acidentes de trânsito.
Todo
o material que iria subsidiar os inquéritos foram perdidos e
consequentemente as peças que seriam encaminhados à justiça como provas
dos delitos praticados, ficaram prejudicados, fato que poderia facilitar
a absolvição de acusados de praticar delitos.
VAQUINHA -
Outra prova da crise financeira na Segurança Pública do Piauí aconteceu
em José de Freitas onde as viaturas da PM e Civil estavam paradas.
Preocupados, moradores do município a 48 km de Teresina, resolveram se
unir e fazer uma 'vaquinha' para comprar gasolina.
O delegado
do 17º Distrito Policial, Luciano Alcântara, conta que em uma semana
foram arrecadados R$ 300 em dinheiro, doações de pessoas comuns,
assustadas com a onda de criminalidade.
"Fui a uma rádio na
cidade e propus a bancar do próprio bolso gasolina para abastecer a
viatura. Imediatamente, os moradores se manifestaram e tiveram essa
atitude e há uma semana estamos fazendo também um trabalho ostensivo, o
que coibiu a ação dos criminosos", disse o delegado em declarações ao
cidadeverde.
Na zona Sul de Teresina um homem foi assassinado
pelo ladrão de sua moto. Parentes denunciaram que após o roubo a vítima
procurou o batalhão da área dizendo que sabia quem havia roubado a sua
moto e aonde o veículo estava, mas teria sido informado que faltava
combustíveis nas viaturas para fazer as diligencias. Sem outra opção, a
vítima e o pai foram tentar pegar a moto por contra própria quando o
ladrão atirou e o matou.
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