Segundo a direção da unidade escolar, a ordem para liberar os alunos mais cedo partiu da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí (Seduc). De acordo com Emiliene Alves, diretora da escola, a orientação foi recebida ainda na sexta-feira (6). “A gente recebeu um comunicado da Seduc mandando liberar os alunos mais cedo”, disse a gestora. Segundo ela, a escola não tem mais como manter o regime integral devido o atraso dos repasses destinados às refeições.
Para Emanuel Vital, professor de geografia da escola, a situação é de tristeza. “A situação aqui na escola é de tristeza total, principalmente por parte dos alunos. Essa escola é referência no Piauí, com vários prêmios conquistados. A gente entende que o tratamento com uma escola de referência deveria ser diferente”, lamentou o docente. Ele conta que a direção compra a merenda fiado à espera do repasse enviado pela Seduc e diz que o problema poderia ser ainda maior.
“Ainda bem que isso veio acontecer já no final do ano, porque se fosse antes seria mais desastroso”, disse. Segundo o professor, a situação se torna mais preocupante porque boa parte dos alunos da escola é de outras cidades e passam o dia no colégio. “Sem as refeições a escola não tem como manter suas atividades em tempo integral”, disse Vital. A escola Desembargador Pedro Sá passou a adotar a modalidade de Ensino Integral em 2009.
Outro colégio da cidade que também enfrenta o mesmo problema é o Centro de Tempo Integral Rocha Neto. Segundo Reginaldo Brandão, professor de história do local, os estudantes estão muito chateados com a situação. Com a ordem para liberar os alunos mais cedo, a duração das aulas foi reduzida. “Os alunos estão inconformados, pois o aprendizado fica menor. Eles estão, inclusive, pensando em organizar uma manifestação contra essa situação”, informou o professor.
Segundo ele, que já foi diretor de escola no município, os colégios públicos estão endividados no comércio local. “A escola compra fiado e chega um momento que os credores não querem mais vender. Aí a solução que a Seduc achou foi mandar liberar os alunos mais cedo”, falou. Assim como na escola Desembargador Pedro Sá, o professor conta que a maior parte dos estudantes do Colégio Rocha Neto vem de cidades vizinhas, o que agrava o problema.
A reportagem do G1 entrou em contato com a Secretaria de Educação e Cultura do Piauí para comentar a situação e saber se a medida se estende a todas as escolas de tempo integral do estado. A informação repassada é que somente o superintendente de ensino, Edjofre Coelho, poderia falar sobre assunto, mas ele não se encontrava no órgão e o celular estava indisponível.
Fonte: JL/G1PI
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