Se for aprovada pela OAB, a comissão começará a trabalhar em 2015, ano que marca o início da Década Internacional de Afrodescendentes, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), até 2024
O Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vota nesta segunda-feira
(3) a criação da Comissão da Verdade da Escravidão Negra, para
pesquisar episódios relativos à escravização de africanos e seus
descendentes e fazer um "resgate histórico e social" do país, revelando
fatos que passaram ao largo da história oficial. Entre eles, o
protagonismo em revoltas e insurreições e a contribuição da população
negra para o desenvolvimento do Brasil.
A proposta da
OAB é instalar uma comissão nacional, no âmbito da entidade, e também
encaminhar ao governo federal a sugestão de criar a Comissão Nacional da
Verdade sobre a Escravidão Negra, nos moldes da Comissão Nacional da
Verdade (CNV). Por dois anos a CNV pesquisou violações de direitos
humanos pelo regime militar, entre 1964 e 1985. O trabalho termina em
dezembro de 2014, com recomendações ao governo para passar a limpo o
período.
“A OAB deve
ser instrumento a favor da igualdade. O século passado abraçou a ideia
da liberdade, agora precisamos promovê-la. Não podemos ter medo de olhar
para o nosso passado. Precisamos revisitá-lo e entendê-lo, para que
atrocidades contra a população negra não se repitam”, disse, em nota, o
presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
Durante ato
ecumênico deste domingo (2), em memória dos mortos e desaparecidos da
ditadura militar e contra o homicídio de jovens negros, o interlocutor
da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir do
Santos, disse que se a comissão da OAB for acolhida pelo governo, deve
propor medidas para enfrentar o racismo. Ele relaciona o alto número de
assassinatos de negros no país ao passado de escravização.
“Hoje ainda
temos muitos jovens assassinados no país, na imensa maioria, negros. Por
mais que se tente associá-los ao crime, eles não estão [associados].
São jovens desempregados, sem qualificação, que moram em comunidades,
nas periferias da grande cidade e em favelas e são assassinados por
membros da polícia, de milícias e também pelo tráfico”, disse. O estudo Mapa da Violência 2014,
mostra que entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de
jovens brancos caiu 32,3%, enquanto o dos jovens negros aumentou 32,4%.
Se for
aprovada pela OAB, a comissão começará a trabalhar em 2015, ano que
marca o início da Década Internacional de Afrodescendentes, aprovada
pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), até 2024. Segundo a ONU,
apesar de esforços, milhões de pessoas continuam sendo vítimas do
racismo e da discriminação, “inclusive de suas manifestações
contemporâneas, algumas das quais tomam formas violentas”, destaca a
organização, em resolução.
Fonte: JL/Abr
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