Suposto mesário da cidade de Campina Grande divulgou foto de um Boletim de Urna “provando” que a urna de sua seção já estava com 400 votos a favor de Dilma antes da votação. Uma breve análise comprovou que a denúncia não passava de uma mentira

Um dos
casos citados da fraude nas eleições amplamente repercutidas nas redes
sociais foi o de um suposto mesário de Campina Grande chamado Ricardo
Santiago, que publicou no Facebook uma foto de um Boletim de Urna
“provando” que a urna de sua seção já estava com 400 votos a favor do PT
antes do início da votação.
O boletim de
urna é uma impressão feita em papel por cada urna eletrônica de votação.
Antes do início da votação, ou seja, antes das 8 horas, o presidente da
seção, na presença dos demais mesários, emite a chamada zerésima que
mostra que não existe voto registrado. E, ao final da votação, é emitido
um novo boletim com os votos computados.
O dito
mesário publicou foto desta “zerésima” que já exibia a quantidade
inicial de 400 votos totalizados para Dilma e “zero” para o candidato
Aécio Neves. O seu post foi compartilhado milhares de vezes nas redes
sociais juntamente com inúmeros comentários.
O site e-farsas.com,
que existe desde 2002 e busca desmistificar histórias que circulam na
internet, afirma que o post não passou de uma mentira. De acordo com o
site, o boletim da urna fotografado por Ricardo Santiago apresenta o
número 16589 e o código de identificação
725.847.686.947.768.967.103.448.
Transparência do TSE
“Já falamos aqui no E-farsas
que as urnas eletrônicas não são 100% seguras, mas para conseguir
fraudar uma urna seria preciso da ajuda de muita gente (que vigia todo o
processo eleitoral). No caso dessa suposta denúncia, podemos afirmar
com certeza de que se trata de farsa!”, diz a matéria publicada no site
por Gilmar Lopes, dia 28 de outubro.
Com base nas informações da foto postada pelo dito mesário Ricardo Santiago, o E-farsas.com
aponta que o “denunciante” não mostrou a seção e a zona eleitoral de
onde o boletim supostamente teria sido impresso. Mas ainda assim,
segundo o site, a numeração correspondente à votação do Aécio Neves
possui somente um dígito. Os demais campos numéricos possuem quatro
dígitos, o que já denuncia a manipulação.
Mas a prova
irrefutável é o código de identificação de carga de número
725.847.686.947.766.967.103.448, mostrado no papel impresso. Por meio
desse número é possível rastrear a origem da tal urna supostamente
fraudada.
Como
estabelece a lei, o Código de Identificação de Carga é criado no momento
de configuração da Urna Eletrônica para uma determinada seção e não se
repete. É um número público, ou seja, está disponível para acesso de
qualquer cidadão, inclusive pela internet. Além disso, esse código único
fica armazenado no banco de dados dos TREs, que só recebem os
resultados das votações de urnas que apresentarem esse código. “Essa
chave é tão específica para cada urna que se o mesmo equipamento fosse
configurado algumas horas antes (ou depois), seu código já seria outro”,
ressalta o site.
Com base nesse código, o E-farsas
afirma que a urna do Campina Grande, na Paraíba, citada pelo suposto
mesário é na verdade do Rio de Janeiro. O site, além de apontar a
mentira, foi verificar a votação real da urna citada: 144 votos para
Dilma e 172 votos para Aécio, totalizando 353 votos. Ao contrário do que
dizia o post que mostrava 400 votos.
Fonte: JL/Pragmatismo Político
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