Segundo episódio da série 'Quatro Anos de Seca' mostrou o problema. Carros-pipas que abastecem a região não são suficientes

Para o sertanejo não morrer de sede a solução é comprar água. O pipeiro adquire a R$ 20 e revende a carga com 8 mil litros por um preço que varia de R$60 a R$150. “A última carrada que eu vendi foi no povoado Lagoa Grande deu uma quantia de R$80”, afirmou o pipeiro Braúlio Santos. O agricultor Aureliano Alves levou R$64, todo o dinheiro que tinha em casa para comprar água. “O dinheiro já é pouco e às vezes a gente tem que deixar de comer para comprar água”, falou.
Na zona Rural a venda de água é feita de casa em casa e os vendedores recebem o pedido pelo celular. Nas caminhonetes, o reservatório com mil litros de água custa R$ 20 e falta tempo para atender a tantos pedidos. Às vezes é preciso virar a noite para vender água para todos.
Nas casas do município uma cena comum é o grande número de louças para lavar. “Só tem água se comprar, se não comprar não tem e com isso ficA tudo sujo”, falou a dona de casa Josafa Carvalho.
A rotina dos moradores é a mesma há mais de cinco meses. Como não tem água nas torneiras, eles precisam se deslocar cedo da manhã para abastecer baldes e outros reservatórios da casa. O desespero causado pela seca uniu os moradores que se ajudam na hora de transportar água. “Tem que ajudar para buscar água, pois não temos como comprar. Se usarmos o nosso dinheiro para não vamos ter como comprar comida. Não tenho como fazer isso”, disse Maria Silva, agricultora.
A escassez de água que atinge a região de Jaicós se reflete no açude Tiririca, que foi construído há 40 anos e agora em 2014 atingiu a reserva mínima. Com isso, a adutora que levava água até os municípios foi desligada. “É de cortar o coração. Eu tenho uma propriedade próxima ao açude e acompanho desde a sua fundação e fico muito triste com as condições climáticas que são pioradas com a ajuda do homem. Esse açude abastecia os municípios vizinhos e agora não tem mais como fazer isso”, relatou o agricultor José Gonçalves.
Além de Jaicós, as cidade de Belém do Piauí, Francisco Macedo e Padre Marcos também estão sem água. Para piorar a situação, os carros-pipa que eram mantidos pela Secretaria Estadual de Defesa Civil pararam de circular. A assistência passou a ser feita pela Operação Pipa realizada pelo Exército, mas são apenas oito caminhões para atender cerca de 50 mil pessoas. “É triste, é uma calamidade”, desabafou a dona de casa Claudevândia Luz.
A Defesa Civil foi procurada para comentar a suspensão do abastecimento pelos carros-pipa, mas ninguém do órgão foi encontrado para falar sobre o assunto.
Fonte: JL/G1PI
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