Em sua delação premiada, o ex-gerente Pedro Barusco, que irá devolver R$ 252 milhões às autoridades, disse que começou a receber propinas em 1996, segundo ano do governo FHC, que se disse "envergonhado pelo que fizeram na Petrobras"

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As práticas
de superfaturamento em contratos e propina para a contratação de grandes
empresas pela estatal do petróleo começaram em 1996, segundo ano do
governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, admitiu Barusco em
sua delação premiada. Ele também confirmou ter recebido US$ 22 milhões
em propina apenas da holandesa SBM Offshore, que trabalha com
afretamento de navios-plataforma.
O ex-gerente
da Petrobras negou, durante depoimento, que parte do dinheiro desviado
por ele era destinado a algum partido ou políticos. "Esta era a parte da
casa", afirmou. Apontado como um dos supostos cúmplices do ex-diretor
da estatal Renato Duque, preso na sexta-feira 14, ele conta também ter
contratado empresas sem licitação, prática que foi permitida por meio de
uma lei do governo FHC.
Barusco teve
participação em todos os grandes projetos da Petrobras na última década,
entre eles a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Em 2006, logo
após a compra pela Petrobras de 50% da refinaria de Pasadena, nos
Estados Unidos, ele tentou favorecer a Odebrecht, contratando a empresa
para a ampliação da refinaria sem processo de licitação. Ele alegou que a
companhia era a única brasileira com experiência para o trabalho e
obteve o apoio dos diretores. A obra no valor de US$ 2,5 bilhões, porém,
foi rejeitada pelos sócios belgas.
O volume de
dinheiro a ser devolvido pelo engenheiro aos cofres públicos é o maior
já obtido por um criminoso na história do País. O acordo de delação
premiada foi firmado por ele antes de a Operação Lava Jato, da Polícia
Federal, vir à tona. Ele decidiu colaborar com a polícia assim que foi
avisado que seria denunciado, conseguindo, dessa forma, se livrar da
cadeia.
Fonte: JL/247
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