Marina Silva (PSB), terceira colocada na disputa presidencial, decidiu apoiar Aécio Neves no 2.º turno da eleição presidencial. Quer, porém, que o tucano inclua em seu programa de governo causas defendidas por ela nas áreas educacionais e de meio ambiente. A ideia da ex-ministra é fazer o anúncio de um "acordo programático". Esse apoio seria costurado a partir de itens convergentes nos programas dos dois, como o fim da reeleição e a reforma tributária.
Marina diz que
não quer condicionar sua decisão a cargos, o que ela define como "velha
política". O caminho da "nova política" é pedir um compromisso formal de pontos
do programa de governo anunciado pelo PSB em agosto. O discurso é semelhante ao
adotado um ano atrás, quando Marina se filiou ao PSB de Campos, e meses depois,
ao anunciar ser vice na chapa então encabeçada pelo ex-governador.
Marina
defende itens como a manutenção das conquistas socioeconômicas dos governos
Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a inclusão da
sustentabilidade na agenda e a garantia de aumento de produção do agronegócio sem riscos à
floresta amazônica.
Além disso,
destacar os pontos em comum entre os planos de governo, como o fim da reeleição
e a reforma tributária, é uma forma de Marina convencer aliados da Rede mais
reticentes ao apoio ao tucano e que preferem a neutralidade, a exemplo do que
ocorreu em 2010. Naquele ano, a terceira colocada fez uma lista de dez itens de
seu programa e a enviou tanto a José Serra e quanto a Dilma. Sem a resposta
esperada dos concorrentes no 2.º turno, ficou neutra.

Fonte:
Orlando Brito/ Coligação Muda Brasil
No
domingo, 5, em discurso após reconhecer a derrota, Marina deu a entender que não
ficaria neutra de novo e que os brasileiros demonstraram "sentimento de mudança"
nas urnas. Entre os marineiros, é consenso de que os ataques da campanha petista
impedem uma aproximação com Dilma. "Não há como conversar com o PT", disse
Sérgio Xavier, um dos assessores mais próximos de Marina. "A nova política é
você se unir a partir de um programa de governo, e é isso que nós queremos
fazer."
A
tendência entre os partidos aliados de Marina é apoiar Aécio. Já se manifestaram
nesse sentido o presidente do PPS, Roberto Freire, que convocou reunião para
hoje, e o do PSL, Luciano Bivar. Dirigentes de PHS, PPL e PRP também tendem a
declarar adesão à campanha do tucano.
Reunião
No PSB, foi
marcada para amanhã uma reunião da Executiva para se buscar um consenso sobre o
2.º turno. A Rede também discute o assunto amanhã. Nesta segunda-feira, 6,
porém, lideranças do PSB já começaram a indicar preferência por Aécio ou mesmo a
declarar voto no tucano.
Mesmo o
presidente nacional do partido, Roberto Amaral, aliado de longa data e
ex-ministro de Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizou que não seria contra o apoio
ao candidato do PSDB. "O fundamental é estar envolvido em um processo de
progresso, de crescimento. Às vezes um reacionário serve de avanço." As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Colaboraram Isadora Peron e Ana
Fernandes
Por João
Domingos e Erich Decat - Brasília e Recife
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