O publicitário David Costa Lima, de 28 anos, e a estudante de Comunicação Camila Alves, de 21, se chamam carinhosamente de “coxinha” e “esquerda caviar”
26/10/14, 10:42
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divisão
entre petistas e tucanos, Dilma Rousseff e Aécio Neves, vermelhos e
azuis, não se limitou aos programas eleitorais, às conversas de bar ou
às linhas do tempo internet afora: a disputa também chegou ao cotidiano
de diversos casais, e, entre uma DR e outra, quase rendeu brigas. O
desafio, a partir desta noite, é a reconciliação. Ganhe quem ganhar nas
urnas.
O
publicitário David Costa Lima, de 28 anos, e a estudante de Comunicação
Camila Alves, de 21, se chamam carinhosamente de “coxinha” e “esquerda
caviar”. Ela vota em Aécio (PSDB). Ele, em Dilma (PT). A brincadeira é o
segredo de uma diplomacia de quem se dividiu durante meses. Camila
ensina outra tática para evitar brigas: encerrar o papo quando se torna
pessoal.
A família dela vota no candidato do PSDB. Mau negócio para David: em um churrasco, sua cota de cerveja foi reduzida à metade, tão logo correu que ele votaria no PT.
— Em minha
defesa, disse que uma hipotética medida assistencialista que
distribuísse cerveja aos cidadãos nunca discriminaria alguém —
diverte-se o publicitário.
A desavença
política do casal Silvânia Roncato e Paulo Renato Dias é mais antiga. Os
dois vivem há mais de uma década em “guerra’’. Ela diz não ser tucana,
mas quer o PT fora do poder. Petista roxo, ele teve problemas em casa
por adesivar o carro e decorar a casa.
— Você não imagina o que é ir ao banheiro olhando para a cara do Lula — lembra Silvânia, entre uma alfinetada e outra no marido.
A eleição de
2014 vem sendo considerada a mais disputada desde a histórica batalha
entre Lula e Fernando Collor, hoje senador pelo PTB-AL, em 1989.
Cientistas políticos identificam diferentes causas para o acirramento.
— A
agressividade dos próprios candidatos contribuiu para isso,
reproduzindo-se na sociedade — explica Geraldo Tadeu Monteiro, do
Instituto Brasileiro de Pesquisa Social.
— Mais que
polarização, vejo um voto anti-PT, causado pelo desgaste dos 12 anos,
mas também por preconceito e desconhecimento — pondera Alessandra Aldé,
da UERJ.
Os porquês do voto de cada um
— Voto na
Dilma pela continuidade dos programas sociais, algo que este país nunca
teve antes. O governo FHC deixou uma taxa de desemprego muito grande e
defendia o Estado mínimo (diminuição do papel do Estado na economia do
país). Estive no Nordeste. Lá, as pessoas endeusam o PT porque foi o
Lula que colocou luz para eles, com o Luz para Todos. Não podemos perder
esse fio da meada, até porque corrupção sempre existiu. Agora, a
corrupção vem à tona — explicou o técnico de Tecnologia da Informação
Paulo Renato Dias, de 52 anos.
— Votarei no
Aécio. Vou votar depois de três eleições sem ir às urnas, porque eu
acredito que o governo tem que se oxigenar. Quero um pouco mais de
transparência. Temos que clarear a máquina. O PT sempre disse que os
outros partidos roubavam e que faria diferente. Não foi o que eu vi nos
dois governos do Lula nem no da Dilma. Você já viu alguém que sempre
criticou uma pessoa aliar-se a essa pessoa? Foi isso que o Lula fez.
Também não sou a favor de assistencialismo — explicou a gestora de
Recursos Humanos Silvânia Dias, de 47 anos.
— Apesar de
concordar com as propostas do partido, não votei sempre no PT. Mas o
Brasil tem muitos problemas estruturais, e, antes de arrumar a fachada,
acredito que temos que resolver as questões internas. A política social
dos governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma, apesar de
estar longe da ideal, ainda é a que mais traz benefícios para os
brasileiros, em comparação com as outras — explicou o publicitário David
Costa Lima, de 28 anos.
— O Aécio não
era meu principal candidato. Mas, para a democracia, é saudável a
alternância de poder. O Brasil tem uma democracia muito recente. O
primeiro presidente eleito democraticamente depois da ditadura foi o
Collor, em 1989. Quando um partido fica muito tempo no poder, é
prejudicial. É o que o Brasil menos precisa. A Dilma já teve o tempo
dela. O que eles tinham que fazer, já fizeram. Vamos deixar outro
entrar. Se eles fizerem uma besteira, daqui a quatro anos a gente troca
de novo — defendeu a estudante de Comunicação Camila Alves, de 21 anos.
Fonte: JL/G1
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