quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Vídeo denuncia falta de higiene no maior hospital público do Piauí

Imagens são de dentro do vestiário dos médicos do Hospital Getúlio Vargas.
CRM realizará uma vistoria no local e poderá acionar o Ministério do Trabalho.
Um vídeo mostrando o descaso dentro do Hospital Getúlio Vargas (HGV), o maior hospital público do Piauí, foi enviado por um telespectador à produção do PI TV 1ªEdição. Na gravação, as imagens denunciam a falta de higiene no vestiário dos médicos, onde eles realizam a troca de vestimentas para entrar no centro cirúrgico, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou transitar por outros espaços dessa unidade de saúde.
Jalecos, lixo e material usado por médicos dividem
o mesmo espaço (Foto: Reprodução/TV Clube)

As roupas, o material usado pelos profissionais e a lixeira compartilham o mesmo ambiente sem qualquer restrição higiênica; onde também estão expostos produtos químicos para limpeza do local. O pequeno compartimento também não possui cobertura e climatização, ficando próximo da casa de máquina e da central do ar-condicionado.
Lixo fica exposto e sem proteção no vestiário
(Foto: Reprodução/TV Clube)

Ao ver as imagens, o infectologista Kelson Veras comenta que a situação é propicia para diversas infecções hospitalares. “Obras, reformas e construções em ambientes hospitalares necessitam que essas áreas sejam isoladas geralmente com plásticos ou de outra maneira para que a poeira não entre em contato com as áreas hospitalares em uso porque na poeira pode ter fungos”, disse Kelson.
Material usado na limpez do local é guardado
no espaço (Foto: Reprodução/TV Clube)

O especialista disse ainda que esses fungos podem ficar nas roupas dos médicos aumentando as chances dos microrganismos entrarem em contato com os pacientes, levando-os a adquirem outras doenças ou agravar seu quadro clínico.

No Piauí, não existem índices oficiais sobre a quantidade de casos dos pacientes que sofreram infecção hospitalar. Já no Brasil, 14% a 19% dos pacientes internados em hospitais podem sofrer algum tipo de infecção. No entanto, a Organização Mundial de Saúde admite apenas 10%.

A direção do HGV reconhece o lugar improvisado usado como vestiário pelos médicos e esclarece que esse setor foi improvisado por causas das obras de ampliação no centro cirúrgico.

“É uma situação temporária. Por mais que esteja se prologando, a previsão de entrega dessa obra é no mês de novembro deste ano. Por maior que seja o transtorno, no nosso modo de entender não compromete o bem estar dos nossos colegas de trabalho”, afirmou a diretora do HGV, Clara Leal.

CRM
O Conselho Regional de Medicina (CRM) até a divulgação desta reportagem, no PI TV 1ª Edição do dia 3 de setembro de 2014, não recebeu nenhuma denúncia oficial. No entanto, o conselheiro Carlos Renato Bezerra considera a situação um desrespeito ao código de ética da profissão. “Simplesmente eu nunca vi em nenhum hospital por onde andei, seja da rede privada ou da pública, uma situação tão degradante: você ter um vestiário que não oferece as mínimas condições para qualquer ser humano”, lamentou o conselheiro.

O CRM realizará uma vistoria no vestiário do HGV. E, se as denúncias forem confirmadas, o caso será denunciado ao Ministério do Trabalho.

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