Brasília, 19 (AE) - A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, que vai pedir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki acesso aos termos dos depoimentos do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator de um suposto esquema de pagamento de propina na estatal a políticos aliados do Palácio do Planalto. Na noite de quinta-feira, , o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, negou pedido semelhante feito pela Presidência.
"Quero ser informada se no governo tem alguém envolvido", disse Dilma. "Eu não reconheço na imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo", declarou a Presidente. "Não é possível que as fontes de investigação no Brasil não sejam os órgãos oficiais".
Desde o dia 29 de agosto, o ex-dirigente da petroleira está prestando uma série de depoimentos em um acordo de delação premiada no qual tem revelado suspeitas de crimes de pagamento de propina a dezenas de políticos, inclusive do PMDB e do PT. O caso corre em segrego de Justiça, mas alguns nomes começaram a ser revelados pela imprensa como tendo sido citados pelo delator Dentre eles, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
"Quando sai uma denúncia na (revista) Veja, ou em qualquer outro jornal, eu não tomo medida porque sou presidente da República. Não tomo medida baseada no 'diz que disse'", afirmou Dilma. "Não é possível que a Veja saiba de uma coisa e o governo não saiba quem está envolvido".
Dilma defendeu que os órgãos de investigação apurem todas as denúncias de irregularidades e criticou o vazamento de informações da delação premiada para a imprensa. De acordo com ela, isso compromete as provas das investigações. "Aí você investiga, o Ministério Público denuncia e não pode ser condenado porque prova ficou comprometida", disse. "Não é função da imprensa fazer a investigação, a função é divulgar".
Pasadena - Ao ser questionada sobre o novo vazamento de trechos da delação premiada de Paulo Roberto Costa, que teria revelado à Justiça o recebimento de R$ 1,5 milhão de propina na operação da compra da refinaria de Pasadena (EUA), a presidente Dilma respondeu com irritação: "Disse pra quem? Se você me disser para quem ele disse, quem disse e como é que disse, eu te respondo. Caso contrário (não tem como responder)" .
A presidente reiterou que só pode confiar em informações oficiais. "Minha querida, eu só recebo informação de juiz, procurador e delegado da Polícia Federal", declarou ela, reiterando que é a favor de que tudo seja investigado. "Eu sou a favor de investigar. Nada é colocado para baixo do tapete e acho que o maior mal atual é a impunidade", afirmou. "Se você investiga, descobre o malfeito e não condena, você cria no Brasil sensação de que ele sofre um tempo, mas não teve pena nenhuma. É assim que a gente protege a impunidade e protege, porque você não prende, não pune", disse ela. "Por isso eu digo: tolerância zero".
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sábado, 20 de setembro de 2014
Dilma pedirá acesso ao depoimento de Costa
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