sábado, 24 de maio de 2014

SP: 'encoxadas' são alvo de protesto na Marcha das Vadias

O ato quer alertar para as práticas de sexo não consensuais que são consideradas crime - entre as quais as recentes "encoxadas" no metrô paulistano
O tema este ano é "Quem Cala Não Consente" Foto: Janaina Garcia / Terra

Com os seios de fora ou vestidas, um grupo de cerca de três mil mulheres (segundo a organização) realiza na tarde deste sábado, em São Paulo, a quarta edição da Marcha das Vadias. O ato quer alertar para as práticas de sexo não consensuais que são consideradas crime - entre as quais, destacam as manifestantes, as recentes "encoxadas" no metrô paulistano.

O tema este ano é "Quem Cala Não Consente”. O grupo deixou o vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp) pouco depois das 14h, em direção à Praça Roosevelt, também na região central. A avenida Paulista, sentido centro, está bloqueada.

Vandalismo e agressão a fotógrafo

A marcha seguiu pela rua Augusta em direção à Praça Roosevelt. Ao passar em frente à casa de apresentações de stand up "Comedians", que tem como sócios os humoristas Rafinha Bastos e Danilo Gentilli -- conhecidos por comentários polêmicos criticados, inclusive, por feministas --, um grupo de mulheres desferiu chutes e socos contra a porta do estabelecimento, que também foi pichada. Nesse momento, manifestantes gritavam "Com violência".

Ao registrar as cenas de vandalismo, o fotógrafo do Terra Alan Morici foi ameaçado, obrigado a mostrar fotos que havia feito e chamado de "machista". Em seguida, uma das manifestantes, mascarada, agrediu Morici com tapas.


Próximo à cena, uma manifestante exibia o cartaz com a mensagem "Mate seu estuprador".

Bandeiras da marcha das vadias

A marcha protesta ainda contra o Estatuto do Nascituro, contra o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e contra iniciativas como a "Cura Gay" --defendidas, em um passado recente, inclusive pelo parlamentar. As manifestantes se colocam também a favor do parto humanizado e da luta feminina, de modo amplo.

"A violência sexual não é só a prática sexual com penetração e sem consentimento, mas toda prática com natureza sexual e que não seja consentida - seja a encoxada ou o beijo roubado, por exemplo", definiu a jornalista Rebeca da Silva, 28 anos, uma das organizadoras da marcha. "Precisamos romper com o estereótipo de que, se a mulher não reclamou, é porque gostou. Isso é lei desde 2009, mas pouca gente tem conhecimento disso", completou.

Mulheres vítimas de violência, como a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, linchada e morta este mês no Guarujá, litoral sul de São Paulo, também foram homenageadas no ato.

Durante a passeata, gritos contra o machismo, a violência e a favor do direito da mulher ao aborto foram as mais comuns. Na Augusta, simpatizantes à causa foram às janelas de apartamentos e se exibiram sem blusa enquanto a marcha passava.

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