quinta-feira, 10 de abril de 2014

PRECONCEITO - Mãe acompanhada de filho portador de deficiência é barrada em porta de agência bancária

O problema maior, conta a cabeleireira, é que o filho dela, que tem 17 anos e sofre de retardo mental, já havia passado pela porta e, com medo, ficou chorando dentro do banco, gritando que não era ladrão

A bolsa já completamente esvaziada e o filho aos prantos do lado de dentro de uma agência bancária não foram suficientes para a cabeleireira Inhaci Martins, de 46 anos, conseguir entrar no Santander do Shopping Santa Cruz, na tarde da última segunda-feira. A moradora de Cosmos conta ter sido impedida pelos seguranças após três tentativas de passar pela porta giratória, mesmo tendo colocado todos os objetos que carregava dentro da caixa coletora:

— Foi uma humilhação muito grande. Já estava com a bolsa vazia, tirei até o forro para o segurança ver, mas disseram que eu teria que guardá-la vazia num armário e ficar segurando meus objetos pessoais enquanto estivesse no banco. Mas dentro da agência, todos estavam com bolsa. O banco estava lotado, as pessoas começaram a falar, e eu chorei de vergonha.

O problema maior, conta a cabeleireira, é que o filho dela, que tem 17 anos e sofre de retardo mental, já havia passado pela porta e, com medo, ficou chorando dentro do banco, gritando que não era ladrão.

— Se eu estivesse sozinha, ficaria triste, mas deixaria para lá. Mas estava com meu filho. Não gostaria que ninguém mais tivesse que passar por isso — disse Inhaci, que só conseguiu pagar o boleto no dia seguinte, numa agência de outra rede bancária, onde é cliente.

Procurado, o Santander, em nota, pediu desculpas pelos transtornos causados a Inhaci e informou que “o travamento da porta giratória é automático, ocorrendo somente com a presença de metal, não permitindo intervenção do vigilante, que apenas consegue destravar a porta”. A nota diz, ainda, que “o banco acrescenta que segue os procedimentos de segurança adotados pela instituição”.

Um dia após a denúncia de Inhaci ser postada numa rede social, a reportagem do EXTRA esteve na agência e não teve dificuldade para entrar no banco, apesar de a repórter — sem a identificação do jornal — estar com uma bolsa repleta de objetos metálicos, incluindo chaves, moedas e até um estilete, além de uma pequena sacola nas mãos. Sem verificar os objetos na bolsa, o segurança liberou a passagem e atribuiu à sacola com chocolates a culpa pelo travamento.
Fonte: JL/Extra

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