A mioglobina é a responsável pela cor vermelha da carne que comemos.
Bióloga de Arraial do Cabo explica a frequente confusão na denominação.
Amigos estão reunidos em uma churrascaria e a situação é inevitável
quando um corte de carne mal passada é servido: "Está mugindo", diz um.
"Odeio carne sangrando", diz outro. Imediatamente, vamos desmistificar
esta lenda urbana: o que você está vendo não é sangue. Pois é, quase
todo o sangue que corre nas veias e artérias de uma vaca jamais chega ao
açougue. Imagine, então, no seu prato!
Logo após o abate do animal, o sangue é escoado, sobrando muito pouco
no coração e pulmões, partes da vaca que sequer chegam às mesas (exceto
em casos muito específicos). O sangue é vermelho porque contém a
proteína chamada hemoglobina, presente apenas no tecido sanguíneo. Já a
cor vermelha da carne que comemos não é por causa da hemoglobina, e sim,
da mioglobina. Ao ser cozida, ela fica marrom, enquanto o filé mal
passado permanecerá vermelho. Portanto, vermelho sim, sangrando não.
O porco possui bem menos mioglobina que o boi (mas, proporcionalmente, a
mesma quantidade de sangue), fazendo com que a carne dele seja rosada.
Alguns a consideram até carne branca. A maioria dos peixes, menos ainda.
"Os animais que têm uma maior movimentação dos seus músculos tendem a
ter a carne mais vermelha, portanto, armazenam uma maior quantidade de
oxigênio, enquanto os animais mais lentos armazenam uma menor
quantidade, apresentando o aspecto da carne mais rosada, como é o caso
dos suínos (porco). Essa atividade muscular dos animais varia de espécie
para espécie. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a
carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é
avermelhada. Nas aves, já ocorre uma variação da cor da carne em algumas
partes: o peito é branco, mas, na parte de coxas, pernas e pescoço, a
carne se mostra mais escura, ou seja, estruturas de maior movimentação
do corpo do animal", esclarece Leonizia.
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Suco da carne servida não é sangue
(Foto: Michelle Farias/G1)
Tornedor de filé mignon ao ponto, com o suco da carne preservado no interior (Foto: Flavio Flarys / G1)
"Filé mignon, contra-filé, alcatra, picanha, fraldinha, tudo isto é
músculo. Músculo não tem hemoglobina, mas tem mioglobina, que também dá a
coloração vermelha à carne. A hemoglobina é uma proteína presente no
sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio
necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos,
também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o
oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne",
diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista
em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela
Ferlagos.
Líquido na carne bovina vendida nos mercados não
é sangue (Foto: Marcelo Rodrigues / EPTV)Tem sugestões, dúvidas ou críticas? Entre em contato pelo Vc no G1 ou mande um e-mail para a coluna: gastronomia@redeintertv.com.br.
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