Ele expele vapor em vez de fumaça. Aparentemente inofensivo, pode fazer renascer o tabagismo entre os jovens. É o começo de uma nova dependência?


Alardeado como a versão segura do cigarro, o aparelho de fumar se populariza rapidamente. Embora cheire menos e não produza fumaça, a atmosfera em torno dele não é menos enevoada. Há muitas dúvidas sobre os efeitos do vapor aromatizado sobre a saúde. Também se discute intensamente seu potencial para causar dependência. Embora recente, o cigarro eletrônico, também chamado de e-cigarro, está no centro de um grande debate de saúde pública. Teme-se que signifique um novo vício – ou a reinvenção do tabagismo, que ainda mata 200 mil pessoas por ano no Brasil.
>> Brasil ainda tem 25 milhões de fumantes
“Já temos uma legião de viciados em cigarro eletrônico no Brasil”, diz a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração, em São Paulo. “As pessoas acham que ele não faz mal à saúde e acreditam que vai ajudá-las a abandonar o cigarro tradicional. Só que ele pode ser ainda mais viciante.” Por liberar grandes quantidades de nicotina, oferecer sabores diferentes e não soltar fumaça, os cigarros eletrônicos se tornam uma combinação irresistível para muitos fumantes. O objetivo inicial – diminuir gradualmente o teor de nicotina do eletrônico até deixar a dependência – dissipa-se como vapor. Ao final, troca-se um vício por outro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário