Propaganda de cigarro em 76 dá origem à Lei de Gérson
Quando Cabral fez contato com os índios em 1500, conquistou a confiança dos habitantes originais da terra que veio a se chamar Brasil com espelhinhos e outros presentes sem qualquer valor.
Deu no que deu, diria um brasileiro miscigenado, sempre a reclamar de tudo e a dizer que o seu país não é sério.
Não é de se estranhar que a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Confiança Interpessoal, realizada pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostre um alto índice de desconfiança nos outros.
Nem a família é 100% confiável, há 27% de brasileiros que não metem a mão no fogo por qualquer parente. Amizade não é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito quando o assunto é confiança: somente 18% confiam plenamente nos seus camaradas.
A desconfiança aumenta entre os vizinhos (só 11% de confiança) e entre colegas de trabalho e de escola (9% de confiança). No geral, 94% dos brasileiros desconfiam pouco ou muito das outras pessoas, sendo que 62% admitem que não confiam nada ou quase nada.
O que faz com que o brasileiro esteja tão ressabiado com o próximo? A pesquisa buscou a justificativa entre os entrevistados: 82% acreditam que a maioria das pessoas quer levar vantagem em tudo.
E são os nordestinos os mais desconfiados. Na região, 89% têm a percepção de que querer sempre levar vantagem é um comportamento generalizado. O percentual cai para 85% no Sul; 81% no Sudeste e 71% no Centro-Oeste e Norte.
Em 1976, o ex-jogdor da seleção brasileira Gérson, tricampeão com Pelé no México em 70, foi o garoto-propaganda dos cigarros Vila Rica com o seguinte apelo aos consumidores:
Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!
Mesmo arrependido de expor dessa forma a sua imagem, a Lei de Gérson continua em pleno vigor no Brasil.
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