
Engenheiro Norbelino Lira de Carvalho
Norbelino deu a declaração durante depoimento do secretário de Segurança Pública, Robert Rios Magalhães, que, compareceu à audiência na qualidade de tesemunha arrolada. Robert Rios chegou a reconhecer que houve assassinato em Algodões e que gostaria de ver os responsáveis presos.

Robert Rios
Robert Rios (foto) prossegue no depoimento: “O que houve em Cocal foi assassinato, tanto que foi aberto um inquérito pela policia civil e pela federal também. Aquelas mortes que ocorreram em Cocal eram plenamente evitáveis. Aquelas pessoas foram tiradas do local pelo prefeito e tiradas de volta, quando deram garantia de que nada iria acontecer. As pessoas ali foram assassinadas e alguém tem que pagar por esse crime, aquelas nove pessoas poderiam ter suas mortes evitadas”, disse Robert Rios.Robert Rios chegou a revelar que em Cocal encontrou uma equipe de engenheiros, entre eles Norberlino Lira de Carvalho, Bertolino Madeira Campos e o economista Avelino Neiva, junto com o governador Wellington Dias. “Lá eu ouvi dos engenheiros a afirmação para o governador de que a barragem não romperia e isso fez com que as familias não fossem retiradas do local”, disse Robert.
“Era a pior cena que eu vi nos meus 35 anos de policia, e olha que eu vi coisa feia, arvores foram arrancadas pelas raízes, pessoas encontradas mortas só com os pés do lado de fora, pessoas desaparecidas que foram encontradas depois de muito tempo, já apodrecidas”.
No decorrer do seu depoimento Robert Rios lembrou que o grupo responsavel pela obra tinha sido denominado pelo governador Wellington Dias de Triolino, uma junção do sufixo ‘lino’ comum a Avelino, Norberlino e Bertolino. E afirmou: “eu lembro bem, como se fosse agora, que todo esse grupo se acocorou ali no chão, e com um graveto começou a explicar que a barragem jamais cairia, que aquela barragem não teria nenhum perigo, que teria que fazer os ajustes, mas não teria nenhum perigo daquela barragem ruir ali e ninguém corria o risco de vida”.
Ao fazer essa revelação, Robert Rios lembrou que o prefeito Ferdinand correu a avisar à população, pelo rádio, que eles poderiam voltar para suas casas porque tinha a garantia dos engenheiros responsáveis de que a barragem não iria ruir.
Robert Rios falou também que nessas horas existiam muitas máquinas – caminhões, tratores, patró – nas imediações da barragem e estranhou que todas foram retiradas dias antes do rompimento.
“Vou lhe dizer um dado que comprova quantas mortes foram registradas e nenhuma máquina, que foi utilizada para construir a barragem, foi levada pela correnteza e se elas não foram levadas é porque os técnicos viram que aquilo iria desabar e tiraram as máquinas de lá. A empresa tirou todo o seu equipamento do local e só os pobres ficaram”. Disse Robert Rios.
Num dado momento da audiência, Norbelino Lira de Carvalho tentou justificar suas declarações a respeito do não rompimento da barragem. Robert Rios, contra argumentou:
“Se eu fosse engenheiro com o conhecimento que o senhor tem, eu teria dito que não ficava ninguém aqui, porque isso vai cair e vai matar gente, eu não teria deixado. Só não gritei, porque eu não era engenheiro”.
Prontamente Norbelino retrucou: “você dizer isso diante do governador e diante de uma pessoa que foi seu mestre e professor era totalmente uma falta de respeito”.
O jornalista Arimatéia Azevedo(foto abaixo) chegou a interferir na audiência informando à juia que ouviu, certa vez Robert lhe disse que quem afirmou para o governador que a barragem não iria romper foi o engenheiro Norbelino. Ele chegou a dar um empurrão em Robert Rios, acocorou-se no chão e, com um graveto, fez riscos para mostrar ao governador que a barragem era segura.
No depoimento, Robert Rios disse que já não se lembrava de quem lhe teria empurrado e afirmado ao governador que barragem não ruiria, mas reafirmou que a garantia partiu de um dos engenheiros presentes.

Arimateia Azevedo
“Era a pior cena que eu vi nos meus 35 anos de policia, e olha que eu vi coisa feia, arvores foram arrancadas pelas raízes, pessoas encontradas mortas só com os pés do lado de fora, pessoas desaparecidas que foram encontradas depois de muito tempo, já apodrecidas”.
Norbelino disse que a responsabilidade da barragem era do engenheiro Ernane e que, mesmo sabendo que ela romperia, não poderia fazer nada porque a ordem do então governador era para que as pessoas não fossem retiradas do local.
Robert Rios chegou a dizer que enquanto os engenheiros garantiam ao governador que a barragem não romperia, estavam nas imediações as máquinas – tratores, patrós, caminhões – utilizadas pela construtora responsável para uma eventual evacuação, mas de repente, segundo o próprio Robert Rios, não havia mais nenhuma máquia.
Veja trechos do depoimento de Robert Rios na audiência:
“Um dia um representante de um deputado do município me procurou muito preocupado com a situação de todas as pessoas que moravam na região da barragem e ele urgentemente tirou todos os moradores que estavam próximo a barragem. Todos os moradores foram, mas perderam o seu sustento, procurei o governador Wellington Dias que pediu primeiro que uma empresa de Teresina fizesse os necessários reparos naquela barragem e o governador levou com ele toda a equipe técnica. O doutor Avelino Neiva , que é um economista, o doutor Noberlino que estava à frente da área de engenharia do governo, junto com o doutor Bertolino e a equipe de engenharia do governo e um engenheiro, que trouxeram o Rio de Janeiro (Dr. Ernane) bem idoso, que me disseram, que teria sido responsável pela construção da barragem na época do DNOCS, que conhecia todo aquele local da barragem. Quando eu acompanhei o governador Wellington Dias o local que nós andamos até o final era todo mato fechado e chegamos à barragem, eu o governador, o engenheiro que veio do Rio de Janeiro e os três responsáveis da área técnica, inclusive eu. Foi lá quo o governador Wellington Dias usou o termo ‘triolino’, para todo mundo ali ouvir, em tom elogioso, e estava também o engenheiro contratado para fazer os reparos na obra. E eu observei muitas máquinas da empresa trabalhando lá, eu lembro bem, como se fosse agora que todo esse grupo (o triolino) se acocorou ali no chão, e com um graveto começou a explicar que a barragem jamais cairia, que aquela barragem não teria nenhum perigo, que teria que fazer os ajustes, mas não teria nenhum perigo daquela barragem ruir ali e ninguém corria o risco de vida. Estava eu acompanhado do prefeito, vários vereadores, muita gente, fora os puxa sacos que acompanham o governador para onde ele vai. O prefeito perguntou mais de três vezes, ‘doutor o povo que foi retirado daqui corre alguma perigo?’ E ele afirmou que podem voltar, mas eu não lembro bem que, mas os engenheiros que estavam ali deram absoluta garantia, que a barragem não colocaria risco a vida de ninguém. Ninguém que estava ali disse que pode desabar. Então está claro doutora (a juiza), que o prefeito ao chegar na cidade orientado pela equipe de governo, pelo próprio governador foi até a rádio, e convocou as pessoas a voltarem para aquele lugar.
O assessor mandou Robert Rios tomar calmante:
Passado algum tempo o prefeito (Ferdinand, da cidade de Cocal) me liga, dizendo que a barragem vai desabar, que ela vai partir e se partir é um tragédia. Então comecei a tentar um contato com o governador, eu falei esse dia três vezes com o assessor do governador de nome Ricardo Pontes, e disse para ele avisar ao governador que o problema lá é muito sério, e ele me disse que estava falando com ele, quando mais tarde ele me liga e disse que o governador falou com os engenheiros e eles disseram para o senhor tomar calmante, que o senhor está nervoso. E eu não tomei calmante, mas tomei algumas providências. Eu liguei para o prefeito de Piracuruca e mandei deslocar caminhões de Piracuruca para tirar as pessoas da margem daquela barragem e a tragédia não foi maior porque nós tiramos centenas de pessoas. Quando a tragédia estava montada ai sim começou a chegar um monte de gente, o helicóptero da PM e outro de Pernambuco. Era a pior cena que eu vi nos meus 35 anos de policia, e olha que eu vi coisa feia, arvores foram arrancadas pelas raízes, pessoas encontradas mortas só com os pés do lado de fora, pessoas desaparecidas que foram encontradas depois de muito tempo, já apodrecidas,. Ai veio um especialista em tragédia de Minas Gerais, o comandante Sidney ficou por lá em torno de vinte dias, quando chegou esse helicóptero de PE foi a coisa que mais me enojou, porque começou a aparecer deputado, político de todo jeito, a aeronave tinha que parar o socorro para poder político fazer fotografia , nunca me esqueço disso. O que houve em Cocal foi assassinato, tanto que foi aberto um inquérito pela policia civil e pela federal também. Aquelas mortes que ocorreram em Cocal eram plenamente evitáveis. Aquelas pessoas foram tiradas do local pelo prefeito e tiradas de volta, quando deram garantia de que nada iria acontecer.
Alguém tem que pagar por esse crime:
“As pessoas ali foram assassinadas e alguém tem que pagar por esse crime; aquelas nove pessoas poderiam ter suas mortes evitadas. Vou lhe dizer um dado que comprova quantas mortes foram registradas, nenhuma máquina, que foi utilizada para construir a barragem, foi levada pela correnteza da barragem e se elas não foram levadas é porque os técnicos viram que aquilo iria desabar e tiraram as máquinas de lá. A empresa tirou todo o seu equipamento do local e só os pobres ficaram. E a resposta que me deram é que eu deveria tomar calmante, porque estava nervoso. O que houve ali foi assassinato, pessoas deviam estar presas. Estamos diante de uma tragédia ainda maior, assassinos deveriam estar presos e que quando podiam evitar essa situação não evitaram.
A justificativa do engenheiro Norberlino Lira de Carvalho foi essa:
“Estava eu, o Avelino e o Bertolino acocorados, quando o governador disse que a barragem vai ficar sob responsabilidade do professor Ernane, ai nós nos retiramos do local da barragem, ai acabou a minha responsabilidade . Quando o governador me autorizou a sair do processo de recuperação da barragem, isso na primeira vez que caiu, eu sai de lá e nunca mais voltei a obra, não assinei nenhuma ata e nunca mais voltei na obra. As palavras do Robert Rios são perfeitamente verdadeiras e foi o que exatamente aconteceu , só que o governador nesse instante disse que a responsabilidade pela obra ficaria com o professor Ernane, que é um mestre e que foi o professor de toda a elite da engenharia piauiense e até brasileira.
Essa conversa está gravada no sistema de áudio e vídeo da 9ª. Vara Criminal de Teresina.
Fonte:Portal AZ
Nenhum comentário:
Postar um comentário