O médico José Alfredo Vasco
Tenório, de 67 anos, iniciava a sua pedalada diária pela orla de Maceió,
quando foi abordado por dois rapazes numa praça a 400 metros de sua
casa. Um dos criminosos estava armado. Quando ele se abaixou para saltar
da bicicleta, recebeu um disparo nas costas. A bala atravessou o corpo e
acertou o coração. João Alfredo morreu no local e se tornou mais uma
das vítimas da violência na capital alagoana, a quinta cidade com mais
homicídios no mundo, segundo levantamento elaborado pela ONG mexicana
Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC.
O Brasil é o país com mais
municípios no ranking: 16. O México aparece em segundo, com nove. Apenas
sete cidades da lista não estão na América Latina: quatro dos Estados
Unidos (Detroit, Nova Orleans, Baltimore e Saint Louis) e três da África
do Sul.
O levantamento leva em conta a
taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado. De
acordo com a ONG, foram levantados dados disponibilizados pelos governos
em suas páginas na internet e consideradas só cidades com mais de 300
mil. Essa foi a quarta edição do ranking.
Em relação ao levantamento de
2012, Brasília e Curitiba deixaram a lista. Por outro lado, três
cidades brasileiras ingressaram no grupo: Campina Grande (PB), Natal
(RN) e Aracaju (SE). As duas maiores metrópoles do país, São Paulo e Rio
de Janeiro, não estão no ranking. Segundo especialistas, há 10 anos o
país vê os homicídios migrarem para os municípios de médio porte.
- A violência deixa de
ocorrer nos polos tradicionais a partir da virada do século - afirma
Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa do Violência do Brasil.
Julio cita como fatores que
provocaram o fenômeno a mudança do modelo econômico, com o fim da
migração para as principais capitais do Sudeste, além dos investimentos
federais nas cidades que tinham grandes taxas de assassinato.
- O crime organizado se
nacionaliza e encontra nessas capitais de estados menores um sistema de
segurança precário - diz o pesquisador.
No caso de Maceió, a cidade
brasileira mais violenta, o problema ainda foi agravado por que o estado
de Alagoas enfrentou seguidas greves de policiais nos anos 2000.
Dos 16 municípios do Brasil
no ranking das cidades mais violentas do mundo, seis vão receber jogos
da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador, Manaus, Recife e Belo
Horizonte.
Estados dizem que investem para reduzir assassinatos
Os estados que possuem
cidades no ranking das 50 mais violentas do mundo dizem estar fazendo
investimentos para reduzir as taxas de homicídios.
O secretário de Segurança
Pública do Ceará, Servilho Paixa, afirma que não há risco para os
turistas que visitarem Fortaleza, a segunda cidade brasileira na lista,
durante a Copa do Mundo.
- O turista pode ficar tranquilo, se conduzir no circuito apropriado, e de forma apropriada - disse.
Segundo o secretário, o
estado tem investido na formação policial, na punição de irregularidades
dos agentes e em gestão para reduzir os índices. Pernambuco afirma que a
taxa de homicídios em Recife tem caído e que tem implantado medidas
para combater a violência. Minas Gerais e Mato Grosso também dizem ter
implantado medidas.
A Secretaria de Defesa Social
de Alagoas, responsável pela segurança pública em Maceió, a primeira
cidade brasileira no ranking, foi procurada, mas não se manifestou.
As brasileiras da lista
Maceió (5ª colocada) - 79,76 homicídios por 100 mil habitantes
Fortaleza (7ª) - 72,81 homicídios por 100 mil
João Pessoa (9ª) - 66,92 homicídios por 100 mil
Natal (12ª) - 57,62 homicídios por 100 mil
Salvador (13ª) - 57,51 homicídios por 100 mil
Vitória (14ª) - 57,39 homicídios por 100 mil
São Luís (15ª) - 57,04 homicídios por 100 mil
Belém (16ª) - 48,23 homicídios por 100 mil
Campina Grande (25ª) - 46 homicídios por 100 mil
Goiânia (28ª) - 44,56 homicídios por 100 mil
Cuiabá (29ª) - 43,95 homicídios por 100 mil
Manaus (31ª) - 42,53 homicídios por 100 mil
Recife (39ª) - 36,82 homicídios por 100 mil
Macapá (40ª) - 36,59 homicídios por 100 mil
Belo Horizonte (44ª) - 34,73 homicídios por 100 mil
Aracaju (46ª) - 33,36 homicídios por 100 mil
Fonte: O Globo
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