sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

ROBERT: ‘Tráfico de drogas fez Teresina virar um cangaço’

No 24º dia do ano, a Delegacia de Homicídios de Teresina já registra pelo menos 35 assassinatos ocorridos na capital, na média que representa mais de uma morte por dia, quase 10% do total registrado em todo ano de 2013. Contudo a maioria dos casos tem envolvimento, direto ou indiretamente, com o tráfico de drogas, que avança assustadoramente na capital. O confronto entre gangues fica cada vez mais acirrado, afetando também os inocentes que se tornam reféns da violência.
Somente nesta semana, três casos chamaram a atenção. O primeiro de um tiroteio que tirou a vida de um jovem de apenas 18 anos na Vila Frei Damião, zona Sudeste de Teresina. Além dele, outros dois jovens foram alvejados. O corpo do rapaz ficou caído dentro de casa, após ser covardemente alvejado pelas costas. Na mesma noite, outro jovem foi executado após ser seguido por homens que estavam em um carro de cor branca. O crime aconteceu no bairro Morro da Esperança, onde no dia seguinte, mais um jovem foi brutalmente assassinado.
Não se pode ainda afirmar com certeza dos fatos que todos os crimes acima relacionados estão relacionados com o tráfico, mas as vítimas já tinham um histórico de envolvimento com a criminalidade, daí a suspeita que se prende a quase todos os crimes na cidade: o acerto de contas.
“É o cara que compra a droga e não paga, ou que ficou responsável pela entrega e não fez, ou então que na hora da partilha acabou não aceitando os termos, que não honrou o grupo. Os motivos são diversos, mas quase que a totalidade dos casos que recebemos este ano tem ligação com o tráfico de drogas”, explica o delegado Francisco Bareta, titular da Delegacia de Homicídios da capital.
O secretário de Segurança do Estado, Robert Rios lembra que todos os números do tráfico cresceram, não só os homicídios. “No ano de 2011 a polícia no Piauí apreendeu 146 quilos de droga, e no ano passado, esse número subiu para quase seis toneladas. E se é maior o número de apreensões, é maior também a quantidade de droga circulando nas ruas. O tráfico é um comércio violento e no Piauí já se assemelha às práticas de gangues do Rio de Janeiro, os procedimentos de punição são os mesmos”, enfatiza o secretário.
Robert Rios explica que o processo relaciona-se até mesmo com as prisões feitas pela polícia. “Quando prendemos um traficante, outros grupos vão disputar na bala a área que antes era dominada por aquele indivíduo. Ele passa 3 ou 4 meses na cadeia, e quando é solto, haverá um novo confronto armado, pois ele tentará retomar seu espaço. Daí a grande quantidade de tiroteios e mortes que estamos vendo nos últimos dias”, diz.
PERIFERIA VIROU CANGAÇO
A população que mora na chamada periferia das grandes cidades enfrenta dificuldades pela falta de estrutura e oportunidade que deveria ser oferecida pelo poder público. A ausência do Estado, através de seus feitos, deixa os mais humildes entregues a outras influências, entre elas, a droga. Sem educação, emprego e oportunidade, os mais jovens ficam esquecidos e a mercê de traficantes, que os transformam em usuários dependentes, e os sugam para o mundo da criminalidade, já que para alimentar o vício precisam mentir, roubar, matar.
“A sociedade se pergunta por que não vamos na zona Leste, nas áreas nobres, abordar os ricos. Nós vamos, e encontramos a droga, mas não a arma. É na periferia que ela está. É na periferia que mora o cangaço, o braço armado e violento do tráfico. Não estou discriminando quem mora na periferia, mas infelizmente os bandidos estão imersos por lá, entre a população de bem”, ressalta Robert Rios.
EFETIVO POLICIAL AINDA É REDUZIDO
Em números per capita, o Piauí tem o menor efetivo do Brasil, diz Robert, que enfatiza ainda o valor para o custeio da segurança. “Se a presidente Dilma colocou o Mais Médicos, deu apoio na área da saúde, a segurança ainda vive de custeio”.
Se por um lado falta mais polícia nas ruas na tentativa de prevê, ou no mínimo evitar que mais mortes aconteçam, é preciso combater o principal: o tráfico. Pontos como a ausência de políticas públicas na área de educação, esporte e lazer, o investimento na recuperação de jovens dependentes da droga, e o caos no sistema prisional que ao invés de agir como balizador da violência devolvendo à sociedade cidadãos recuperados, marginaliza ainda mais seus presos, são alguns dos fatores a serem repensados no Piauí, em meio à crise que se alastra, denotando o descontrole de setores públicos da sociedade.

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