
Este machismo idiota, aliás como todo tipo de machismo, ainda impede que muitas mortes sejam evitadas. Gromatzky reconhece que ele já foi bem maior, mas ainda continua desgraçadamente enraizado na cabeça do brasileiro médio. Lembro da dificuldade que foi convencer o meu querido pai a ir ao médico. Se demorasse mais, poderia tê-lo perdido.
Apesar de todo o avanço conquistado nos últimos anos no combate ao câncer de próstata, o toque retal ainda é o melhor termômetro para avaliar as reais condições do paciente, sobretudo, no seu estágio inicial. O exame de antígeno prostátigo específico, o famoso PSA, não detecta a doença em quase 20% dos casos. Aí, só o toque retal pode salvar. Juntos são a base para o diagnóstico do médico.
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil. Só perde para o de pele. Dados do Instituto Nacional do Câncer revelam que 60 mil casos surgem todos os anos no país, atingindo, sobretudo, quem tem mais de 65 anos, quando as chances de cura são remotas. Quatro em cada dez brasileiros deverá ter a doença. Por ser um mal mais ligado à terceira idade, este número aumenta na proporção em que o brasileiro passa a viver mais.
Por isso, a prevenção é tão essencial. Para tentar vencer a barreira do preconceito, o Instituto Lado a Lado pela Vida criou o "Novembro Azul". Neste mês estão sendo feitas várias ações para esclarecer a população da importância dos exames preventivos." O câncer é potencialmente curável, mas é preciso que homens acima de 50 anos façam periodicamente os exames", alerta Gromatzky.
Gromatzky fala em 50 anos. Como sou hipocondríaco assumido e da pior espécie, pois acho que tenho todas as doenças, inclusive, as que a humanidade desconhece, fiz o teste aos 40 anos. Posso imaginar o que passa pela cabeça de vocês ao lerem isso, mas fazer o teste mais cedo foi fundamental para que eu tivesse uma vida mais saudável. Ou pelo menos, com uma doença a menos para me angustiar.
Só que, admito, não foi nada fácil. Não por preconceito. Por estranhamento, mesmo. É invasivo demais. Vou poupar a mim e a vocês de qualquer pormenor, mas para que tenham uma vaga ideia do sufoco que passei, basta dizer que saí da sala do proctologista - comecei com um proctologista, não sei a razão - com 15 de pressão, três níveis acima do normal. Estava num check-up e fui direto a uma cardiologista, que sorriu ao me ver lívido e espantado com a alta da minha pressão. Solidária com aquela angústia que tinha invadido todo o meu espírito, ela apenas balbuciou: "não se preocupe, todo mundo que vem do Januário, vem assim".
Até hoje a minha pressão sobe, mas vale a pena.

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário