A realidade das crianças que recolhem latinhas para reciclagem no canal do Arruda, zona norte do Recife, em Pernambuco, se tornou alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho contra a prefeitura da capital. O registro da triste rotina de três crianças que vivem do lixo foi feito pelo fotógrafo Diego Nigro, do Jornal do Commercio.
De acordo com perfil dos catadores brasileiros elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), baseado no Censo 2010 (IBGE), 3,6% dos 20.166 pernambucanos que trabalham com reciclagem têm entre dez e 17 anos. São, oficialmente, 726 crianças e adolescentes no Estado que tiram seu sustento como catadores
Os garotos Paulo Henrique Félix da Silveira, de nove anos, Tauã
Manoel da Silva Alves, dez anos, e Geivson Félix de Oliveira, de 12 anos, mergulham
para achar latinhas e vender em um galpão de reciclagem. O dinheiro, no máximo
R$ 10 por dia, complementa a renda da família. A mãe é empregada doméstica e
diz temer que os meninos peguem doenças, mas que não tem como negar a ajuda dos
filhos, no total seis. Os meninos exibem feridas pelo corpo e manchas na pele
Segundo o Ministério Público do Trabalho, foi encaminhada uma lista de 13
pedidos para que a prefeitura faça ações a fim de acabar com o trabalho
infantil na cidade. Entre as recomendações, a administração municipal tem 120
dias para averiguar quantas e que em condições os menores de idade estão trabalhando. A
partir disso, será dado prazo de 30 dias para inseri-los em programas
sociais. O MP avaliou que a prefeitura está em falha para resolver o problema A prefeitura informou que, no caso específico do canal do
Arruda, já tem em andamento um projeto de urbanização do local que inclui uma
espécie de triagem do lixo, o que poderá beneficiar famílias que vivem da
reciclagem. O órgão informou ainda que encaminhou mais de dez agentes para
trabalharem na limpeza do canal na segunda-feira (4) A prefeitura disse que entrará em contato com o Ministério Público
para uma visita nesta terça-feira (5) ao canal com uma equipe da Secretaria de
Desenvolvimento Social e Direitos Humanos A história dos garotos, que moram em um apertado barraco na
comunidade de Saramandaia, no Arruda, mobiliza moradores da região. Vizinhos e
pessoas que se comoveram com a história de vida enviam doações, como comida e
roupas.
Foto: Diego Nigro/JC Imagens/Estadão Conteúdo



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