Curiosamente, a nota do PT foi redigida com o propósito de apaziguar os ânimos
| A |
cúpula
do PSB considerou desrespeitosa a nota divulgada pelo PT em resposta à
sua decisão de não mais participar do governo de Dilma Rousseff.
Aprovado em reunião da Executiva petista nesta segunda-feira (23), o
texto trata a sucessão de 2014 como mera reedição da disputa PT X PSDB. E
insinua que não restaria a Eduardo Campos e seus correligionários senão
apoiar a reeleição de Dilma. Sob pena de se associarem ao atraso.
O blog ouviu
duas lideranças do PSB na noite passada. Uma recorreu à ironia: “O PT
virou um partido caolho. Vê tudo pela metade. E só enxerga a metade em
que aparece o seu próprio umbigo.” E a outra: “O brasileiro está de saco
cheio da polarização entre petistas e tucanos. Dilma despencou para
patamares abaixo dos 40%. Maria Silva tem 26% do eleitorado. Sem fazer
campanha, o Eduardo foi a 7%. Só não vê o que se passa quem está cego.”
Curiosamente,
a nota do PT foi redigida com o propósito de apaziguar os ânimos. Num
dos seus tópicos, a legenda sinaliza a intenção de manter sua infantaria
nos cargos que ocupa em Estados governados pelo PSB: PE, CE, PI, ES e
AP. “Onde o PT decidiu participar de governos dirigidos pelo PSB, assim
como onde o PSB participa de governos dirigidos pelo PT, deve prevalecer
o debate programático, mantendo a diretriz de que os cargos estão
sempre à disposição.”
Chegou-se a
essa fórmula após interferência de Lula. Em privado, o presidente do PT,
Rui Falcão, dizia preferir que seu partido também desembarcasse dos
governo geridos pelo PSB. Por mal do pecados, o trecho referente aos
cargos, item 4 da nota, foi o que menos chamou a atenção da turma de
Eduardo Campos. O que motivou a irritação foram, sobretudo, os itens 1 e
2.
Num, o PT
sustenta que 2014 repetirá a polarização de 2002, 2006 e 2010. Noutro,
fulmina a hipótese de surgirem nomes alternativos: “…Tanto no primeiro
quanto no segundo turno, a disputa colocará os partidos em dois campos
distintos: um deles representado pelos avanços promovidos pelos governos
de Lula e de Dilma, e outro, representado pelos governos hegemonizados
pelo PSDB, DEM e PPS.” Dessa lista, o PPS de Roberto Freire flerta com o
projeto presidencial de Eduardo Campos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário