'Os grandes reservatórios de água estão praticamente secos e isso preocupa'

Com pelo menos um ano e meio sem chover, os 209 municípios que decretaram emergência por conta dos efeitos da seca terão que racionar água, que já falta para abastecimento humano e animal. Os reservatórios de água do Estado estão com nível baixíssimo e o abastecimento tem sido garantido por meio de carros- pipas e das cisternas.
O presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Arinaldo Leal, confirmou que os municípios piauienses estão fazendo racionamento de água devido a forte seca. "Os grandes reservatórios de água estão praticamente secos e isso nos obriga a fazer racionamento", emendou o prefeito de Vila Nova do Piauí, que preside a associação.
Para ele, a operação Carro-Pipa, coordenada pelo Exército e em outra frente pela Defesa Civil Estadual, está acontecendo razoavelmente bem, sendo um paliativo para o problema do abastecimento, principalmente na região semi-árida do Estado.
A orientação da APPM é que os todos os prefeitos renovem os decretos de emergência, já que somente 156 tiveram o reconhecimento da situação feita pelo governo do Estado e Federal. A maioria dos municípios perdeu mais de 85% da safra agrícola. "Em alguns, a perda foi de 100% e a tendência é que este final de ano e o inicio do próprio seja ainda pior, porque as reservas que tinham foram consumidas e não teve mais plantio. Não tem mais do que sobreviver. O que tem salvo as pessoas e os rebanhos são os programas assistenciais como o Bolsa Estiagem, Garantia Safra e o programa da ração e do milho, distribuído pela Conab.", declarou o presidente da associação.
Nas perdas agrícolas, o Piauí perdeu pelo menos 300 milhões no plantio de soja. No ano passado foram colhidas quase 1,2 milhão de tonelada de soja. A queda prevista para este ano foi de no mínimo 25% da previsão da colheita. A estiagem dizimou os plantios de subsistência e os arranjos produtivos como a produção de mel, caju cultura, piscicultura, dentre outros.
A falta de chuva provocou uma perda acima de 70% nas plantações de soja no cerrado. Faltou chuva exatamente no período em que a planta floresce e enche as vagens. A lavoura ficou comprometida.
A seca e o ataque de lagarta devem provocar uma quebra de até 50% na produção de soja na safra 2012/2013, no Piauí, segundo Altair Fianco, presidente regional da Associação dos Produtores de Soja e Milho no Piauí (Aprosoja-PI) e vice-presidente do Sindicato Rural de Uruçuí.
De acordo com ele, o Piauí tinha potencial para colher 1,6 milhão de toneladas nos 546 mil hectares cultivados com soja. "Não perdemos só pela falta de chuva. Entre 10% e 12% da quebra foram só com a lagarta", comentou Altair.
Fonte: Com informações do Jornal Diário do Povo
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