terça-feira, 25 de junho de 2013

OAB: Discussão entre advogado e promotora vira sindicância


Caso aconteceu no município de Monsenhor Gil na semana passada. Um deu voz de prisão ao outro.

A discussão entre um advogado e uma promotora de Justiça no município de Monsenhor Gil (PI), 56 quilômetros ao Sul de Teresina, virou alvo de investigação da Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Piauí (OAB/PI). A entidade, através da sua Comissão de Prerrogativas, instaurou sindicância para saber se os direitos de Dalton Rodrigues Clark foram violados após receber voz de prisão da promotora Rita de Cássia Gomes. Por outro lado, a Associação Piauiense do Ministério Público (APMP) defende a servidora pública. 
                                            Fotos: APMP
Enquanto advogado denuncia abuso de autoridade, promotora mostra marcas que seriam de agressão do mesmo
O episódio data de 18 de junho. A promotora teria dado voz de prisão ao advogado por desacato a autoridade, após ela ter saído em defesa de uma servidora, supostamente ofendida por ele. Por outro lado, Dalton Clark negou tal acusação e considerou o ato de Rita de Cássia um abuso de autoridade, motivando-o a também dar voz de prisão para a mesma.
Na OAB, Dalton Clark foi ouvido na última segunda-feira. A entidade trata o caso como possível obstrução ao trabalho do advogado, podendo, ao final da investigação, entrar com representação contra a promotora na Corregedoria do Ministério Público do Piauí e até Conselho Nacional do Ministério Público. 
As informações obtidas até o momento por Antônio Sarmento, presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB/PI, colocam o advogado como vítima. Mesmo assim, ele não descarta que a investigação possa ter outro fim. "Se a comissão constatar que ele quebrou a ética, ao invés de representar a pessoa da promotora, a comissão pode levar o caso ao Tribunal de Ética da OAB", explica ao Cidadeverde.com, reforçando que recebe diariamente denúncias de advogados impedidos de trabalhar. "A prerrogativa não é do advogado, é do cidadão. O advogado só representa o cidadão. Ele está alí exercitando uma profissão, defender os direitos das pessoas". 
Outro lado
No que depender da expectativa da Associação Piauiense do Ministério Público, a investigação da OAB/PI irá constatar que a vítima do episódio em Monsenhor Gil é a promotora. A entidade está munida de fotos de Rita de Cássia Gomes com marcas de agressões, atribuídas ao advogado, além de laudo dando conta da ausência de lesões em Dalto Clark. “Paciente informa que sofreu agressão corporal após discussão, porém sem lesões evidentes”, diz o texto. 
Associação mostra que laudo não apontou agressões no advogado
Em nota, a APMP divulgou ainda trechos do depoimento de uma servidora, que teria sido destratada pelo advogado. A nota ainda diz que "A servidora esclarece que o advogado ao receber voz de prisão resistiu, agarrou fortemente a promotora causando as lesões mencionadas" e anuncia que a associação irá encaminhar representação à OAB para apuração dos fatos. "Até prova em contrário, acreditamos na absoluta idoneidade do laudo médico supramencionado que não atesta qualquer lesão no advogado em decorrência do episódio mencionado, bem como nos depoimentos da representante do Ministério Público e da servidora do TJ-PI", declarou a entidade.
Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

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