Obra está parada em Luís Correia; PI é único estado litorâneo sem terminal. Em 2008, foram gastos R$ 10 milhões só para recuperar estrutura do cais
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A realidade do único porto do Piauí – que ainda não existe – é justamente o cenário que a MP dos Portos
quer extinguir. O plano é estabelecer novos critérios para a exploração
e arrendamento para a iniciativa privada de terminais de movimentação
de carga em portos públicos, a fim de baixar os custos de logística e
melhorar as condições de competitividade da economia brasileira
O texto foi aprovado após 50 horas de discussão, com parlamentares varando a madrugada em uma das votações mais desgastantes que o governo enfrentou no Congresso. Dilma tem até 5 de junho para sancionar ou vetar parcial ou integralmente a proposta para retomada dos investimentos nos portos.
As obras do
Porto de Luís Correia estão paradas pela segunda vez. Ao longo de 37
anos, os trabalhos ficaram interrompidos por 24 anos – de 1986 a 2008 e
de 2011 até agora. Segundo o governo do Piauí, o porto está na lista de
14 portos marítimos com recursos garantidos pelo Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC 2). Já a Secretaria de Portos, da Presidência da
República, afirma que o projeto "está em vias de aprovação no PAC". A
obra continua sem prazo para conclusão.
Estado sem porto
A ausência de um porto e a falta de investimentos em logística são consideradas os maiores gargalos para o agronegócio no Piauí. A distância dos Tabuleiros Litorâneos, localizados em Parnaíba (PI), para o Porto de Itaqui, no Maranhão, por exemplo, é de aproximadamente 535 km. Boa parte da produção de frutas orgânicas como acerola, caju, coco, melancia e goiaba é escoada pelo terminal. Já a distância para o terminal de Pecém, no Ceará, passa de 450 km. Caso o terminal marítimo do Piauí seja concluído, a distância até Luís Correia será de 18 km.
Diretora
da indústria da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ivani
Gonçalves reconhece que a obra do Porto de Luís Correia é uma
necessidade para o estado, que de 2009 a 2011 exportou cerca de R$ 183
milhões pelo Porto de Itaqui, em São Luís (MA), e R$ 156 milhões pelo
Porto de Pecém (CE). Boa parte da soja produzida na região dos Cerrados
teve de ser enviada ao Maranhão.
A ausência de um porto e a falta de investimentos em logística são consideradas os maiores gargalos para o agronegócio no Piauí. A distância dos Tabuleiros Litorâneos, localizados em Parnaíba (PI), para o Porto de Itaqui, no Maranhão, por exemplo, é de aproximadamente 535 km. Boa parte da produção de frutas orgânicas como acerola, caju, coco, melancia e goiaba é escoada pelo terminal. Já a distância para o terminal de Pecém, no Ceará, passa de 450 km. Caso o terminal marítimo do Piauí seja concluído, a distância até Luís Correia será de 18 km.
Diretora
da indústria da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ivani
Gonçalves reconhece que a obra do Porto de Luís Correia é uma
necessidade para o estado, que de 2009 a 2011 exportou cerca de R$ 183
milhões pelo Porto de Itaqui, em São Luís (MA), e R$ 156 milhões pelo
Porto de Pecém (CE). Boa parte da soja produzida na região dos Cerrados
teve de ser enviada ao Maranhão.
Os primeiros
estudos para a instalação do Porto de Luís Correia começaram na década
de 1960, mas somente na gestão do presidente Ernesto Geisel, em 1976, as
obras da estrutura foram efetivamente iniciadas. Em 1986, dez anos após
o início da construção, aconteceu a primeira paralisação, por
insuficiência de recursos públicos, segundo o Ministério Público Federal
(MPF). Na ocasião, apenas o molhe, de três quilômetros, havia sido
concluído.
Em
2008, passados 22 anos de suspensão das obras, Wellington Dias,
governador do estado na época, anunciou a retomada, com investimento de
aproximadamente R$ 10 milhões só para recuperar as antigas estruturas
que foram prejudicadas pela ação do tempo.
Em visita ao
Piauí, em 2009, o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro
Brito, disse que desde a década de 1970 cerca de R$ 390 milhões já
haviam sido investidos no Porto e destinou outros R$ 64 milhões para a
conclusão da obra até dezembro de 2010. A ministra chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, atual presidente da República, participou do encontro.
Em maio de
2011, um novo problema paralisou as obras. A Secretaria Estadual de
Transportes (Setrans) rescindiu o contrato com o consórcio Staff de
Construções e Dragagem Ltda./Paulo Brígido Engenharia, responsável pela
construção na época.
Procurado pelo G1,
o secretário da Setrans, Avelino Neiva, disse apenas que a rescisão
unilateral aconteceu com base em relatórios da Secretaria de Controle
Interno da Presidência da República (Ciset) e ainda por sugestão da
Controladoria Geral do Estado. Entre os motivos para a quebra do
contrato está a expiração de prazos.
Sem querer
dar mais detalhes sobre o projeto, o secretário afirmou que os assuntos
relacionados ao Porto de Luís Correia estão entregues à Procuradoria
Geral da República e à Polícia Federal.
A Secretaria
de Portos, por sua vez, disse que "o estado do Piauí rescindiu
unilateralmente o contrato de construção da obra". Segundo a secretaria,
os convênios do governo do Estado com a pasta expiraram no dia 31 de
dezembro de 2012 e não existiam mais recursos no Orçamento Geral da
União para a colaboração de novo instrumento. Ainda de acordo com a
secretaria, após a aprovação do novo projeto no PAC, serão solicitados
recursos adequados para firmar outro convênio.
O diretor da Staff, Heitor Gil, disse ao G1
que havia dois contratos da obra. O primeiro, segundo ele, estava de
fato com o prazo expirado, mas já havia sido solicitada a prorrogação do
prazo antes mesmo de sua expiraçao. Ele afirmou que as obras estavam em
estado avançado. "No que tange ao segundo contrato, não havia prazo
expirado. O motivo do ato é falso, ensejando a sua nulidade", disse.
Heitor Gil
disse ainda que o parecer 004/2011, elaborado pela Controladoria Geral
do Estado do Piauí, se resume a descrever as constatações feitas pela
Secretaria de Controle Interno da Presidência da República e, nas
conclusões, recomenda que a Secretaria Estadual de Transportes adote
algumas providências. "Em nenhuma das recomendações consta a paralisação
das obras ou/e rescisão do contrato de prestação de serviços", disse
Gil.
Procurada pelo G1,
a Controladoria-Geral da União (CGU) informou que não acompanha o caso
do porto no Piauí, que está a cargo, na parte de fiscalização, da
Secretaria de Controle Interno da Presidência da República (Ciset).
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Investigação da PF
Com os trabalhos paralisados desde 2011, a obra foi alvo de inquérito na Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, para apurar indícios de irregularidades – entre eles, superfaturamento na obra, pagamentos indevidos, falha no edital e falta de estudos de impacto ambiental.
Com os trabalhos paralisados desde 2011, a obra foi alvo de inquérito na Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, para apurar indícios de irregularidades – entre eles, superfaturamento na obra, pagamentos indevidos, falha no edital e falta de estudos de impacto ambiental.
Imagens feitas no local em março de 2013 mostram estruturas enferrujadas e outros materiais sendo destruídos pela ação do tempo.
No dia 10 de
maio deste ano, o MPF ajuizou ação de improbidade administrativa contra
ex-secretários de estado, servidores e representantes do consórcio Staff
visando o ressarcimento de cerca de R$ 12 milhões aos cofres da União
em razão dos prejuízos causados ao patrimônio público por
irregularidades praticadas nas duas etapas da construção do porto.
O
relatório não faz conclusões enfáticas sobre a ocorrência de fraudes e
ilegalidades nos procedimentos licitatórios, apenas recomenda que a
Secretaria de Portos aprofunde as investigações"
Heitor Gil, responsável pelo consórcio Staff
A ação foi
proposta pelos procuradores da República Kelston Lages e Alexandre
Assunção e tem como base relatórios de auditoria produzidos pela da
Secretaria de Controle Interno da Presidência da República (Ciset) e
laudos de engenharia e contábil elaborados pela Polícia Federal.
"O relatório
não faz conclusões enfáticas sobre a ocorrência de fraudes e
ilegalidades nos procedimentos licitatórios, apenas recomenda que a
Secretaria de Portos aprofunde as investigações, já que, segundo a
Controladoria, haveria indícios de desvio de conduta", disse o diretor
da Staff, Heitor Gil.
Irregularidades
A Ciset apontou falhas no orçamento e indícios de sobrepreço; ausência de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento; contratação de etapa da obra sem funcionalidade imediata; divergências entre o plano de trabalho e o contrato de execução das obras e ausência de aprovação de projetos, editais, contratos e aditivos; falhas na elaboração do projeto básico; participação do autor do projeto na execução da obra; ausência de manifestação jurídica quanto às minutas de editais e contratos.
A Ciset apontou falhas no orçamento e indícios de sobrepreço; ausência de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento; contratação de etapa da obra sem funcionalidade imediata; divergências entre o plano de trabalho e o contrato de execução das obras e ausência de aprovação de projetos, editais, contratos e aditivos; falhas na elaboração do projeto básico; participação do autor do projeto na execução da obra; ausência de manifestação jurídica quanto às minutas de editais e contratos.
A Polícia
Federal constatou a ausência de licença ambiental pelo órgão competente;
deficiência no projeto básico; restrição ao caráter competitivo dos
editais; superfaturamentos; transferência indevida de R$ 3 milhões da
conta específica do convênio para a conta única do Estado; serviços
pagos e não executados e imprestabilidade dos serviços executados.
Constam dos
laudos da PF as informações de que "o concreto executado compromete não
apenas a durabilidade da obra, como também a sua solidez, por não
atender ao fim a que se presta". O valor medido e pago, segundo a
polícia, está 95,34% superior ao valor dos serviços executados para
preços referenciais.
Em outubro do
ano passado, o governo estadual anunciou a licitação para a terceira
etapa da obra, com mais R$ 150 milhões investidos para colocar em
operação um Terminal de Granéis Líquidos e Sólidos. Os recursos do PAC 2
para obras de dragagem, aprofundamento e adequação da navegabilidade
nos canais de acesso foram garantidos pelo governo federal, segundo o
governo do Piauí. As demais etapas para a conclusão do Porto de Luís
Correia são a construção do molhe (R$ 247 milhões) e dragagem (R$ 51
milhões).
Segundo a
Secretaria de Portos, da Presidência da República, no entanto, o projeto
"está em vias de aprovação no PAC". O órgão disse que obras dessa
natureza levam de dois a três anos para serem construídas, dependendo do
montante de recursos disponibilizados.
Expectativas
Produtores têm expectativas diversas acerca da construção do porto. Enquanto uns acreditam que ele possa ajudar a escoar a produção do estado, outros não creem nem na conclusão da obra.
Produtores têm expectativas diversas acerca da construção do porto. Enquanto uns acreditam que ele possa ajudar a escoar a produção do estado, outros não creem nem na conclusão da obra.
Para o
produtor Josenilton Lacerda Vasconcellos, um dos pioneiros na
fruticultura orgânica no Piauí, o projeto do Porto de Luís Correia
"caducou".
"Quando
cheguei aqui, há 12 anos, já sabia do projeto do porto. Atualmente não
creio na viabilidade e muito menos na sua execução. Como não há política
de atração de investimentos, as indústrias e empreendimentos produtivos
vão se consolidando em outros estados. Vamos evoluir, no máximo, para
fornecedores de matéria prima. Com a Transnordestina voltada para os
Portos de Pecém (CE) e Suape (PE), e a desistência da Suzano, o projeto do porto fica totalmente inviabilizado”, avalia Josenilton Lacerda.
Donizeti de
Paulo Lima, produtor no Tabuleiros Litorâneos em Parnaíba, diz que a
conclusão do Porto de Luís Correia pode viabilizar a exportação do que é
produzido no estado. Há cinco anos ele saiu de São Paulo para investir
na produção de acerola e mamão no Piauí e planeja ainda a criação de
peixes visando o comércio exterior.
"Teríamos uma
economia de pelo menos 40%. Hoje dependemos do Porto de Pecém. Deixei
de fechar um negócio na França porque ficaria inviável alugar contêneirs
no Ceará. Esta é uma obra que viabilizaria as exportações. Estamos
próximo à Europa e sem dúvida alguma seria um grande salto para a
economia do estado", avalia Donizeti.
Fonte: JL/G1 PI




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