
Quixadá-Ce Primeiro, o assassinato de uma universitária de 25 anos e logo em seguida o suicídio de um comerciante de 33. Esse foi o desfecho de uma ex-relação amorosa entre Claudenir Benício Agostinho, mais conhecido como “Bixo Cell” e Maria Grayce Kelly Lima Maia. Ela foi alvejada por três disparos de pistola 7.65 quando saia de casa para a Faculdade Católica Rainha do Sertão, onde cursava Psicologia. Um dos tiros acertou a testa, um outro no pescoço e o terceiro o tórax dela. A universitária morreu na rua Rui Barbosa, a poucas quadras do terminal rodoviário de Quixadá.
Após ver a universitária tombar do chão, sem vida, o comerciante empreendeu fuga num automóvel Corolla preto, com placas de Niterói – RJ. Todavia, logo após o crime equipes do Ronda do Quarteirão, da Força Tática de Apoio (FTA) e da Polícia Civil cercaram aquela área. Minutos depois, a alguns quarteirões da casa da universitária o comerciante se matou com um tiro no ouvido, dentro do automóvel. O corpo dele tombou sobre os assentos dianteiros e na mão ainda estava a arma, ainda municiada.
Populares informaram que ele não deu qualquer chance de defesa a universitária. A executou a queima-roupa, apesar da rua Rui Barbosa ser movimentada, inclusive existindo bares vizinhos ao local do crime, tudo ocorreu em fração de segundos, comentou uma testemunha pedindo para não ter seu nome revelado. Também foi impossível evitar que ele tirasse a própria vida, na Travessa Estudante Antonio Brito. Algumas estudantes viram o carro parar bruscamente e dentro dele o comerciante com a pistola na mão. Correram para dentro de casa e em seguida ouviram um tiro. Logo depois uma equipe da Polícia Civil chegou. Ele já estava morto, esclareceu o delegado regional George Monteiro.
Tragédia anunciada
Após encerrar o relacionamento com “Bixo Cell”, como o ex-namorado ficou conhecido após abrir lojas de telefones celulares com essa marca de fantasia, Grayce Kelly começou a se queixar para a família que estava sendo perseguida por ele. Pouco tempo depois, revoltado por ela não ter aceitado reatar o namoro, além de persegui-la ele passou a espanca-la. A jovem passou a registrar vários boletins policiais denunciando as constantes violências. Por várias vezes ela solicitou Medida Sócio Protetiva, mas somente há pouco mais de mês a Justiça decretou a Prisão Preventiva dele, pela Lei Maria da Penha, por solicitação da delegada Roseane Queiroz.
Para desespero da estudante, a qual tinha como projeto de vida apenas conquistar o diploma de psicóloga em Quixadá e se mudar para outra cidade, “Bixo Cell” ganhou liberdade pouco tempo após sua prisão, concedida pelo Tribunal de Justiça. Ficou recolhido na cadeia pública de Quixadá apenas por uma semana, no início do mês de março passado. Ele dizia nas redes sociais que estava envergonhado e que inclusive iria embora da cidade. Todavia os policiais da Delegacia Regional de Quixadá continuavam alertando a estudante para tomar cuidado. Ele poderia surpreende-la a agredi-la novamente a qualquer momento.
Ela já imaginava um ato mais extremo. Pagar com a própria vida o preço do seu sonho, de conquistar o diploma universitário. “Eu sei que amanhã poderei não estar mais viva, mas não posso passar a minha vida fugindo e me escondendo porque as nossas leis são tão frustrantes. Se Deus assim quiser assim será”, havia desabafado Grayce Kelly quando o primeiro amor da sua vida foi preso. Ela soltou um sorriso, mas não era de felicidade. Era de alívio. Finalmente poderia fazer em paz seus planos para a festa de formatura.
Fonte:Alex Pimentel
diariodonordeste
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