Deputado Federal marco Feliciano (PSC) eleito por SP com 212 mil votos
Em defesa protocolada no
STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP)
reafirmou que atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.
O presidente da Comissão
de Direitos Humanos da Câmara é ouvido no STF por suposta
discriminação por uma declaração que o mesmo teria postado no microblog
Twitter.
Na época, Feliciano também teria dito no Twitter que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico Noé.
existem suspeitas que o perfil do deputado tenha sido invadido por Hackers
As falsas declarações provocaram protestos que tomaram conta de redes sociais e das sessões da comissão.
Feliciano nunca incitou a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
Em sua defesa no STF,
protocolada no dia 21, Feliciano diz que não é homofóbico e racista.
Reafirma, porém, a sua interpretação de que há a maldição contra
africanos.
“Citando a Bíblia [...],
africanos descendem de Cão [ou Cam], filho de Noé. E, como cristãos,
cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições”,
afirmou, na peça protocolada em seu nome pelo advogado Rafael Novaes da
Silva.
“Ao comentar [no
Twitter] acerca da ‘maldição que acomete o continente africano’, diz sua
defesa, o deputado quis afirmar que é “como se a humanidade expiasse
por um carma, nascido no momento em que Noé amaldiçoou o descendente de
Cão e toda sua descendência, representada por Canaã, o mais moço de seus
filhos, e que tinha acabado de vê-lo nu”.
A defesa do deputado diz
ainda que há uma forma de “curar a maldição”, entregando “os seus
caminhos ao Senhor”. “Tem ocorrido isso no continente africano. Milhares
de africanos têm devotado sua vida a Deus e por isso o peso da maldição
tem sido retirado”, diz o texto.
Historicamente,
interpretações distorcidas do trecho da Bíblia citado pelo pastor
serviram como justificativa para atitudes e manifestações racistas, como
as dos proprietários de escravos no Brasil e nos EUA no século 19.
Ao STF, Feliciano não
entra em detalhes sobre sua afirmação sobre os gays –diz apenas que não
há lei que criminalize sua conduta.
FÉ E MANDATO
O pastor também afirma
que seu mandato está atrelado à religião, embora tenha dito durante a
atual crise que sua crença não afeta sua atuação na Câmara. Usou esse
argumento para se manter na presidência da comissão.
Ao STF, afirmou que suas
manifestações no Twitter estão “ligadas ao exercício de seu mandato”.
As estratégia é vincular as declarações à imunidade parlamentar.
Feliciano foi eleito
para a comissão em março. Após os protestos, o pastor conseguiu aprovar
requerimento fechando-as para o público.
Rubens Valente,
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