O
coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs)
no Piauí, José Carvalho Rufino, afirmou ontem que o nível das barragens
do Estado é o mais baixo da historia para um período de chuvas. A
orientação é para alerta, porque pode prejudicar o abastecimento d'água e
o fornecimento de energia. O Dnocs fala em racionamento do uso da água
das barragens, priorizando o abastecimento humano.
A
estiagem dizimou os arranjos produtivos e os produtores agora sobrevivem
de programas sociais do Governo Federal. Segundo dados da meteorologia,
a seca deve se prolongar até 2014. As chuvas que caem desde o início do
ano no Estado estão sendo tão irregulares que os reservatórios e açudes
não conseguiram acumular água. As chuvas não foram suficientes nem para
a lavoura prosperar.
A maior parte das famílias, sobretudo
na região do semi-árido, está sendo mantida com programas sociais como o
Bolsa Estiagem, Bolsa Família e Seguro Safra, e estão sendo abastecidas
por carros pipas. "Nós podemos ter um período de chuvas ruim também em
2014. É preciso garantir a sobrevivência dessas barragens", afirmou Zé
Carvalho. A seca também destruiu os arranjos produtivos trabalhados há
anos pelo Governo do Estado, como a produção de mel, de caju-cultura,
piscicultura (criação de peixes) e os rebanhos, afetando a produção de
leite e derivados e de frutas e hortaliças.
Segundo Zé
Carvalho, a barragem de Bocaina, por exemplo, na região de Picos, uma
das mais afetadas pela seca, que tem capacidade de armazenar 105 milhões
de metros cúbicos d'água, está com apenas 23% da capacidade. De acordo
com dados do Dnocs, a maioria das barragens do Estado está com menos de
50% da capacidade. O baixo volume d'água afeta diretamente a
piscicultura, porque a maioria das barragens gerou criatórios de peixe, e
a irrigação, para cultura de vazante que funciona geralmente às margens
das barragens.
Para tentar compensar os municípios que
dependem de abastecimento destas barragens, estão sendo construídos e
equipados poços. Em algumas regiões estão sendo construídas adutoras.
"Devemos ter o mínimo de água para abastecer as populações em 2014. E,
para isso, vamos buscar uma alternativa", afirmou Zé Carvalho. E agora
tem um agravante: os pipeiros que abasteciam as cidades no semiárido
estão em greve, porque o pagamento está em atraso. O abastecimento
d'água não está sendo feito nesta região.
Diariodopovo
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