quarta-feira, 17 de abril de 2013

Barragens do Piauí estão no nível mais baixo


José Carvalho, do Dnocs: racionamento de água nas barragens do semiárido
O coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no Piauí, José Carvalho Rufino, afirmou ontem que o nível das barragens do Estado é o mais baixo da historia para um período de chuvas. A orientação é para alerta, porque pode prejudicar o abastecimento d'água e o fornecimento de energia. O Dnocs fala em racionamento do uso da água das barragens, priorizando o abastecimento humano. 
A estiagem dizimou os arranjos produtivos e os produtores agora sobrevivem de programas sociais do Governo Federal. Segundo dados da meteorologia, a seca deve se prolongar até 2014. As chuvas que caem desde o início do ano no Estado estão sendo tão irregulares que os reservatórios e açudes não conseguiram acumular água. As chuvas não foram suficientes nem para a lavoura prosperar. 
A maior parte das famílias, sobretudo na região do semi-árido, está sendo mantida com programas sociais como o Bolsa Estiagem, Bolsa Família e Seguro Safra, e estão sendo abastecidas por carros pipas. "Nós podemos ter um período de chuvas ruim também em 2014. É preciso garantir a sobrevivência dessas barragens", afirmou Zé Carvalho. A seca também destruiu os arranjos produtivos trabalhados há anos pelo Governo do Estado, como a produção de mel, de caju-cultura, piscicultura (criação de peixes) e os rebanhos, afetando a produção de leite e derivados e de frutas e hortaliças.
Segundo Zé Carvalho, a barragem de Bocaina, por exemplo, na região de Picos, uma das mais afetadas pela seca, que tem capacidade de armazenar 105 milhões de metros cúbicos d'água, está com apenas 23% da capacidade. De acordo com dados do Dnocs, a maioria das barragens do Estado está com menos de 50% da capacidade. O baixo volume d'água afeta diretamente a piscicultura, porque a maioria das barragens gerou criatórios de peixe, e a irrigação, para cultura de vazante que funciona geralmente às margens das barragens.
Para tentar compensar os municípios que dependem de abastecimento destas barragens, estão sendo construídos e equipados poços. Em algumas regiões estão sendo construídas adutoras. "Devemos ter o mínimo de água para abastecer as populações em 2014. E, para isso, vamos buscar uma alternativa", afirmou Zé Carvalho. E agora tem um agravante: os pipeiros que abasteciam as cidades no semiárido estão em greve, porque o pagamento está em atraso. O abastecimento d'água não está sendo feito nesta região.
Diariodopovo

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