Todos os dias Maria Eulene chora pela ausência da sua filha, Elda
Ferreira Barros. Quase quatro meses depois da tragédia que levou a
criança de apenas quatros anos, os sentimentos que predominam na família
são de tristeza e indignação.
No início deste ano o 180graus
narrou a história da pequena Elda. Em 1º de janeiro, ela se engasgou
com um pedaço de churrasco que sua avó trouxe da festa de posse do
prefeito reeleito Agamenon Franco (PSB), no município de Ribeiro
Gonçalves, onde residem. Ao ser levada para o Hospital Municipal Arlindo
Borges, não havia nenhum médico de plantão.
Com a situação de
emergência, pois a criança já estava ‘roxa’, o próprio diretor do
hospital começou a fazer o atendimento. Foram realizadas as manobras de
costume como tapinha nas costas e compressão do abdômen, sem sucesso.
Como a situação era crítica, não haveria tempo para fazer transferência
da criança para outro hospital, como o de Baixa Grande do Ribeiro, ou
mesmo Uruçuí, porque a mesma estava asfixiando-se, e o trajeto mínimo
era de 40 minutos, poderia ser fatal.

A pequena Elda morreu sem atendimento necessário
O
diretor do hospital e a equipe resolveram então realizar uma
traqueostomia, o procedimento poderia fazer a criança voltar a respirar,
que consiste numa pequena perfuração na traqueia através do pescoço.
Mas o procedimento não funcionou, a criança asfixiava-se, então foi
necessária a transferência para o hospital de Baixa Grande do Ribeiro,
no caminho teve três paradas cardíacas e morreu.

Hospital estava sem médicos
FAMÍLIA DIZ QUE HOUVE ERRO MÉDICO
O
avô da criança, senhor Domingos, ainda está inconformado com a
situação. Segundo ele foi feito um corte muito grande, e no lugar
errado, que acabou resultando em uma hemorragia, causando a morte dela.
“Quando vi minha neta, ela estava toda ensanguentada, se o procedimento
tivesse sido correto, isso não teria acontecido. A perfuração era grande
demais, foi um erro médico”, disse.

Corte no pescoço da criança: ficou toda ensanguentada
ERRO É POSSÍVEL
O 180graus verificou com profissionais da área e constatou que o procedimento de
uma traqueostomia não é tão simples. É comum para o cirurgião geral e de
cabeça e pescoço, mas há a possibilidade de lesão de artérias
tireoideas, veias jugulares, artérias carótidas, veias jugulares
anteriores, nervos, que podem levar a lesões graves, inclusive
hemorragia. A constatação de erro médico só poderia ter sido feito
através de uma perícia.
PERÍCIA NÃO FOI REALIZADA
A
família declarou que o laudo não foi realizado, a afirmação foi
confirmada pelo diretor do hospital, Geanfrancesco, que no dia da
reportagem preparava apenas a Certidão de Óbito, cuja causa hipotética é
asfixia por corpo estranho. Mas a família afirma que não foi feito para
encobrir o erro. “Se ela tivesse morrido apenas pelo engasgo, a gente
até entenderia, porque foi um incidente, mas tenho certeza que esse
corte matou a minha neta”, disse a avó da criança, dona Maria.

FAMÍLIA NÃO RECEBEU ASSISTÊNCIA
Ao
receber o corpo da criança, a família pagou um carro por para levar ao
hospital de Uruçuí para que fosse verificado. Por serem de origem
humilde ainda não tiveram condições de pagar o valor de R$ 400. Reclamam
ainda que nada foi apurado, como se nada tivesse acontecido.
“Só o
que nós queremos é justiça. Isso não pode ficar impune. Nem a
prefeitura, ou governo ou qualquer outro órgão prestou algum tipo de
assistência, sequer tiveram o trabalho de apurar”, disse o avô.
Seu
Domingos faz um apelo para que as autoridades tratem do caso e que isso
não se repita com outras crianças que sofrem diariamente com a falta de
assistência médica e com o descaso do serviço público.
VEJA A PRIMEIRA MATÉRIA DIVULGADAFonte: 180graus
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