Durante entrevista coletiva realizada no
início da tarde desta sexta-feira (15), o delegado geral da Polícia
Civil, James Guerra, afirmou que a morte do ex-vereador Emídio Reis, 51
anos, foi encomendada há cerca de quatro meses.
Emídio Reis foi assassinado no dia 31 de
janeiro de 2013 e encontrado cinco dias depois enterrado em uma cova
rasa. Como o corpo já estava em avançado estado de decomposição, foi
reconhecido através das roupas e do tênis que usava.
Segundo James, uma testemunha informou
que o crime foi planejado no mês de novembro do ano passado, durante uma
reunião política liderada pelo vice-prefeito de São Julião, José
Francimar Pereira.
O local onde foi realizado a reunião e
os nomes dos participantes não foram revelados pela polícia. O
depoimento desta testemunha será utilizado como prova no inquérito,
presidido pelo delegado Lucy Keiko, membro do Grupo de Repressão ao
Crime Organizado, Greco.
“Esse crime foi planejado e executado
por uma organização criminosa muito bem articulada. As investigações
apontam que a autoria intelectual ficou a cargo do vice-prefeito da
cidade” disse James.
O delegado informou ainda que a disputa
política seria a motivação do assassinato. Emídio Reis era considerado
“um problema” porque descobriu um esquema de venda de mandatos na região
de São Julião.
“Neste esquema o prefeito eleito ficaria
dois anos no mandato, em seguida renunciava para o vice assumir. Só que
Emidio descobriu e entrou com o processo pleiteando a cassação da
chapa. Como havia uma ameaça do vice não assumir, o ex-vereador acabou
sendo assassinado” completou James.

Dos seis mandados de prisão expedidos
pela juíza criminal de Picos, Nilcimar Rodrigues de Araújo, cinco foram
cumpridos no início da manhã desta sexta-feira (15). Um dos acusados
ainda continua foragido.
Os presos foram trazidos para a sede da Greco, na zona sul de Teresina. Eles tiveram a prisão temporária decretada.
Entre os presos está o motorista que
abordou Emídio na saída de Picos no dia do crime; um fornecedor de
armas; um assessor do vice-prefeito e dois pistoleiros, responsáveis
pela execução do ex-vereador. Os nomes não foram divulgados para não
atrapalhar as investigações que ainda estão em curso.
“Esse motorista era conhecido de Emidio e
serviu como ‘isca’ parar interceptar o ex-vereador e fazê-lo parar.
Quando Emídio estacionou, foi rendido pelos executores” disse James.
Durante a operação foram apreendidos um
rifle e um revólver calibre 38. A quantia recebida pela quadrilha para
executar o crime não foi revelada pela polícia.
“A estabilidade política de José
Francimar naquela região era de extrema importância para a manutenção do
braço financeiro da quadrilha” finalizou James.
O delegado informou ainda que José Neci
(PT), prefeito de São Julião, será ouvido no inquérito, mas que não
podia adiantar nenhum detalhe sobre o mesmo.

vice-prefeito de São Julião, José Francimar Pereira (ao centro)

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