sexta-feira, 15 de março de 2013

Emídio morreu após denunciar venda de mandato, diz Polícia


Durante entrevista coletiva realizada no início da tarde desta sexta-feira (15), o delegado geral da Polícia Civil, James Guerra, afirmou que a morte do ex-vereador Emídio Reis, 51 anos, foi encomendada há cerca de quatro meses.

Emídio Reis foi assassinado no dia 31 de janeiro de 2013 e encontrado cinco dias depois enterrado em uma cova rasa. Como o corpo já estava em avançado estado de decomposição, foi reconhecido através das roupas e do tênis que usava.
Segundo James, uma testemunha informou que o crime foi planejado no mês de novembro do ano passado, durante uma reunião política liderada pelo vice-prefeito de São Julião, José Francimar Pereira.
O local onde foi realizado a reunião e os nomes dos participantes não foram revelados pela polícia. O depoimento desta testemunha será utilizado como prova no inquérito, presidido pelo delegado Lucy Keiko, membro do Grupo de Repressão ao Crime Organizado, Greco.
“Esse crime foi planejado e executado por uma organização criminosa muito bem articulada. As investigações apontam que a autoria intelectual ficou a cargo do vice-prefeito da cidade” disse James.
O delegado informou ainda que a disputa política seria a motivação do assassinato. Emídio Reis era considerado “um problema” porque descobriu um esquema de venda de mandatos na região de São Julião.
“Neste esquema o prefeito eleito ficaria dois anos no mandato, em seguida renunciava para o vice assumir. Só que Emidio descobriu e entrou com o processo pleiteando a cassação da chapa. Como havia uma ameaça do vice não assumir, o ex-vereador acabou sendo assassinado” completou James.
Dos seis mandados de prisão expedidos pela juíza criminal de Picos, Nilcimar Rodrigues de Araújo, cinco foram cumpridos no início da manhã desta sexta-feira (15). Um dos acusados ainda continua foragido.
Os presos foram trazidos para a sede da Greco, na zona sul de Teresina. Eles tiveram a prisão temporária decretada.
Entre os presos está o motorista que abordou Emídio na saída de Picos no dia do crime; um fornecedor de armas; um assessor do vice-prefeito e dois pistoleiros, responsáveis pela execução do ex-vereador. Os nomes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações que ainda estão em curso.
“Esse motorista era conhecido de Emidio e serviu como ‘isca’ parar interceptar o ex-vereador e fazê-lo parar. Quando Emídio estacionou, foi rendido pelos executores” disse James.
Durante a operação foram apreendidos um rifle e um revólver calibre 38. A quantia recebida pela quadrilha para executar o crime não foi revelada pela polícia.
“A estabilidade política de José Francimar naquela região era de extrema importância para a manutenção do braço financeiro da quadrilha” finalizou James.
O delegado informou ainda que José Neci (PT), prefeito de São Julião, será ouvido no inquérito, mas que não podia adiantar nenhum detalhe sobre o mesmo.



vice-prefeito de São Julião, José Francimar Pereira (ao centro)

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