
PROGRAMAS: cerca de R$ 405 bilhões foram repassados pelo governo
Com
o impulso do reajuste do salário mínimo e da reformulação do Bolsa
Família, os programas sociais de transferência de renda alcançaram peso
inédito no gasto público e na economia do país.
Recursos pagos
diretamente a famílias representaram mais da metade --exatos 50,4%-- das
despesas do governo federal no ano passado, excluídos da conta os
encargos da dívida pública.
Dados recém-apurados da execução
orçamentária mostram que o montante chegou a R$ 405,2 bilhões,
distribuídos entre o regime geral de previdência, o amparo ao
trabalhador e a assistência.
Trata-se de 9,2% do Produto Interno
Bruto, ou seja, de todos os valores recebidos pela população e pelas
empresas instaladas no país.
São proporções sem paralelo entre países
emergentes, o que ajuda a explicar a também anômala carga de impostos
brasileira, na casa de 35% da renda nacional.
Na maior parte das
economias latino-americanas e asiáticas, a arrecadação dos governos
varia entre 20% e 25% do PIB --apenas recentemente, a Argentina chegou
aos patamares do Brasil.
A carga tributária dos dois sul-americanos é
similar à média de 34 países da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico, que reúne, na sua maior parte, nações
desenvolvidas.
O aparato de seguridade social no Brasil é encabeçado
pela previdência social urbana, cuja clientela cresce ano a ano em linha
com o aumento da expectativa de vida da população.
As despesas
recordes do ano passado foram alimentadas pelo aumento do salário mínimo
de 7,5% acima da inflação, o maior desde o ano eleitoral de 2006.
Além
das aposentadorias e pensões, os benefícios trabalhistas e
assistenciais de caráter universal --direitos de todos os que
preencherem os requisitos da legislação-- também têm o piso salarial
como referência.
Estão nessa lista o seguro-desemprego, o abono
salarial e a assistência obrigatória a idosos e deficientes de baixa
renda, todos com aumento de transferências em 2012.
O abono salarial
cresce ainda com a formalização da mão de obra, uma vez que
trabalhadores sem carteira não têm direito ao benefício.
Na
quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou
taxa de desemprego de 5,5% em 2012, a menor da série histórica anual
iniciada em 2003.
Já no caso do seguro-desemprego, foi editado
decreto destinado a conter o aumento de gastos, com a exigência de curso
profissionalizante para os trabalhadores que ingressam pela terceira
vez no programa.
BOLSA FAMÍLIA - A expansão mais aguda de despesas se
dá no Bolsa Família, que paga benefícios não vinculados ao salário
mínimo a uma clientela cadastrada pelo governo entre famílias pobres e
miseráveis.
Principal marca da administração petista, o programa
passou, na gestão de Dilma Rousseff, pela maior reformulação desde que
foi criado há quase uma década.
Os benefícios foram reajustados e
passaram a ser calculados para que as famílias com filhos possam
ultrapassar a linha da miséria, fixada em R$ 70 mensais por pessoa.
Em
consequência, a despesa com a clientela de 13,9 milhões de famílias
saltou de R$ 13,6 bilhões, no fim do governo Lula, para R$ 20,5 bilhões
no ano passado.
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