Segundo dom Fernanco Panico, as ameaças seriam
por conta de batalha judicial travada para reaver terreno, entre
Juazeiro e Crato .

O bispo da Diocese de Crato, dom Fernando
Panico, e o advogado da Diocese, Hiarles Macedo, foram alvos de ameaças
anônimas de morte por telefone e escritas. Eles registraram boletins de
ocorrência reportando as circunstâncias à Polícia. “Dom Fernando se diz
protegido pelas forças divinas”, afirma Macedo em entrevista por
e-mail. Na última segunda-feira, 21, o bispo esteve em Campos Sales em
missão eclesiástica, conversando com seminaristas.
Uma
batalha judicial é, segundo a assessoria jurídica da Igreja, o motivo
das ameaças de morte de que foram alvos. Todas elas faziam referência “à
causa que a Diocese move contra a F.P. Construções e Empreendimentos
Imobiliários LTDA de propriedade do sr. Francisco Pereira da Silva”,
conclui.
A disputa gira em torno de um terreno próximo à
divisa dos municípios de Juazeiro do Norte e Crato, no Cariri cearense. A
Diocese alega que o antigo bispo Murilo de Sá Barreto, morto em 2005,
vendeu, no final dos anos 1990, parte da área à imobiliária, no valor de
R$ 200 mil. O restante, de acordo com eles, deveria ter continuado em
posse da Igreja.
Atualmente há cerca de 300 casas em 850 lotes
do Sítio Vila Real II, que mede ao todo 746.000 m². Ocupado, o terreno
em litígio valeria R$ 50 milhões, conforme cálculos da Diocese. O
terreno era originariamente propriedade de padre Cícero Romão Batista.
Para quem as terras foram deixadas por ele também é motivo de
controvérsia.
O proprietário da imobiliária diz ter adquirido
todo o terreno do próprio bispo. Em 2002, uma procuração, registrada em
cartório e assinada por Murilo, deu plenos poderes para Francisco
Pereira da Silva vender as terras. “Tenho 20 anos de mercado e não há
nada que me desabone. Eles hoje estão falando que ameaço bispo, mas
estão tentando criar um factoide”, afirma Francisco Pereira da Silva.
Em
2011, a Diocese entrou com ação contra a imobiliária. Em primeira
instância, o juiz decretou nulidade da escritura pública, porque, com o
falecimento do padre, a procuração estaria extinta, segundo Macedo. A
imobiliária está recorrendo, e o processo deve seguir para o Tribunal de
Justiça.
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Um
terreno na divisão entre Juazeiro do Norte e Crato está sendo
disputado pela Diocese e por imobiliária da cidade. O terreno foi de
propriedade de padre Cícero. Atualmente é lugar de intensa valorização e
chega a custar R$50 milhões.
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