Há
poucos dias, o arcebispo metropolitano de Teresina, Dom Jacinto Brito,
externou sua angústia e sua indignação com o cenário da seca no Piauí.
Ele se pronunciou através da mídia local, após uma visita às regiões de
São Raimundo Nonato, Oeiras e Picos. O arcebispo disse que tudo está ao
abandono.
Na semana passada, o vigário-geral de Teresina, padre Tony
Batista, que integrou a comitiva do arcebispo na viagem ao semi-árido,
fez novas críticas à situação de abandono das regiões flageladas. Ele
concedeu entrevista ao jornalista Pires de Saboia, na TV Assembleia,
sobre a seca no Piauí.
"Desde quando o imperador prometeu vender a
última joia da Coroa para combater a seca no Nordeste, pouca coisa mudou
até agora", criticou o padre Tony Batista. Ele disse que falta vontade
política das lideranças nordestinas para enfrentar o problema e adotar
um programa de convivência com a seca.
"A estiagem, em si, não é o
problema. Israel, que é um deserto, exporta uva", observou. Ele disse
que as lideranças políticas só aparecem aos moradores do semiárido em
tempo de eleição. "A situação lá é de abandono. Nós vimos isso de perto,
mais uma vez, na viagem que fizemos com o Sr. Arcebispo. É de cortar
coração. Causa revolta", desabafou.
O vigário-geral da Arquidiocese
de Teresina contou que muitas escolas públicas estão fechadas, e os
alunos, em sua maioria jovens, foram para São Paulo, cortar cana. "Só
ficaram os aposentados e as crianças". Ele disse que a missão liderada
pelo arcebispo não encontrou a presença do poder público com um combate
efetivo aos efeitos da estiagem.
O padre destacou que o gado já
morreu e o povo está morrendo calado, miseravelmente, pois as lideranças
sindicais se entregaram ao governo e já não fazem qualquer protesto
diante da grave crise que atormenta mais de 150 municípios do Estado,
por causa da seca. A Arquidiocese de Teresina fará no próximo final de
semana, em todas as suas paróquias, uma campanha de arrecadação de
alimentos não perecíveis para mandar para os flagelados da seca.
Fonte diariodopovo
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