Júlio César Cardoso*

Júlio César Cardoso
Como se pode acreditar em política séria no Brasil, se, por exemplo, o
candidato à prefeitura municipal de Curitiba deputado federal Ratinho
Júnior (PSC-PR), que surfa na onda do pai em popularidade, não demonstra
seriedade em cumprir integralmente o mandato que recebeu do povo? Mas
essa falta de respeito eleitoral é comum no país. Em Porto Alegre, temos
a deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B), tentando pela segunda vez
o trampolim político municipal. Uma imoralidade que deveria ser
rejeitada pelo eleitor.
Esse é o traço de falta de caráter observado na maioria de nossos
políticos, infelizmente. Eles só querem as glórias do poder. São
oportunistas em busca de suas realizações pessoais. O povo que os
elegem, verdadeiros mentecaptos, são os culpados, através do deformado
voto obrigatório, de darem espaços a esses senhores, maquiavélicos,
traidores da confiança eleitoral.
Eles, os puladores de galhos, quando estão no Parlamento, não fazem nada
pela população e pela nação. Só pensam em suas reeleições ou nas
disputas das administrações públicas. São gazeteiros, recebem demais e
pouco produzem, não têm escrúpulo com o dinheiro público e não se
importam com maus exemplos dados aos mais jovens. Em vez de servirem de
paradigma em suas gestões políticas, continuam a cometer os mesmos erros
de políticos da velha-guarda fisiologista e de interesses escusos, que
até hoje envergonham a nação.
Esses são os políticos solertes, sagazes, manhosos e velhacos, que fazem
da política cabide de emprego ou meio de tirar vantagem, esquecendo-se
dos valores éticos e morais e conspurcando a imagem de nossa política. E
por isso, não é descabido dizer que política no Brasil é a arte de
tirar vantagem da coisa pública, de enganar incautos eleitores, de
trabalhar apenas em interesse próprio ou de grupos de sua freguesia
promíscua. Como muito bem sintetizou Lênin: “Onde termina a política
começa a trapaça”. E de trapaceiros a política brasileira está cheia.
* Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado
Nenhum comentário:
Postar um comentário