A gota d´água para o desenlace da aliança do PT com o PSB foi o
movimento que o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos fez de se
aproximar de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um político semiaposentado,
na definição do Palácio do Planalto, que lidera a bancada anti-Lula no
Senado e é um dos mais ferozes críticos do ex-presidente.
Mais do que o rompimento dos dois partidos na formação das chapas
para a eleição municipal no Recife, em Fortaleza e Belo Horizonte, o que
levou a presidente Dilma a sair dos seus cuidados e entrar na disputa
partidária, levada pelas circunstâncias, muito contra a sua vontade, foi
o gesto de Campos se reaproximar de Jarbas, até outro dia o principal
antagonista do governador na política pernambucana, e a entrada em cena
de Aécio Neves em Belo Horizonte. De uma só penada, ela deu um chega pra
lá nos dois.
Para se ter uma ideia do que isto simboliza e do choque que causou a foto de Eduardo com Jarbas, foi mais ou menos como a já histórica imagem de Lula nos jardins da mansão de Paulo Maluf ao celebrar a aliança do PT com o PP na eleição paulistana.
O pior é que meu amigo Eduardo Campos não precisava de nada disso: ao
romper com o PT pernambucano, e lançar candidato próprio, o PSB levou
junto uns 15 partidos da antiga Frente Popular do Recife. Político em
franca decadência, Jarbas mais tira do que dá votos, assim como Maluf.
Não se trata só de uma questão política, já que isto hoje em dia está
muito relativizado pelas mais estranhas alianças, mas de uma traição
pessoal de Campos ao amigo Lula que, na presidência da República, tanto
colaborou para transformar o governador pernambucano e presidente do PSB
numa liderança nacional, a ponto de ver seu nome cogitado para ser vice
de Dilma em 2014.
Com Lula fora de combate _ o ex-presidente, finalmente, tirou alguns
dias de férias para cuidar da saúde, longe do embate político _ Dilma
tomou as dores do antecessor e passou a jogar duro com o PSB.
O jantar que reuniu esta semana, no Palácio da Alvorada, a presidente
com os governadores Eduardo Campos e Cid Gomes, para acertar uma trégua
com o PSB, não foi suficiente para consertar o estrago. A relação está
trincada.
Campos não só queimou seu filme com Dilma e Lula como ainda jogou nos
braços dos dois o PMDB velho de guerra, que andava meio arisco,
queixando-se do governo e do PT.
Sem Lula, seu principal mentor e articulador político, Dilma entrou
na roda e obrigou pessoalmente o ministro Fernando Pimentel a sair a
campo em apoio a Patrus Ananias, seu principal adversário dentro do PT
na política mineira, quando o PSB rompeu a "grande aliança" em Belo
Horizonte, a mando do senador tucano Aécio Neves. O PMDB, imediatamente,
deu apoio a Patrus.
A sensação no Palácio do Planalto, depois de tantas movimentações na
base aliada nos últimos dias, é de alívio. Têm colaboradores próximos da
presidente Dilma sorrindo de orelha a orelha ao ver o PT longe de Aécio
em Minas e distanciando-se, pelo menos momentaneamente, de Eduardo
Campos que, ao alçar voo próprio antes da hora, estava começando a
incomodar.
R7

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