
Andressa Mendonça foi proibida pela Polícia Federal de visitar o marido
Foto: Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press
Foto: Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press
Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira,
não recebeu permissão para ver seu marido, nesta segunda-feira, na sede
da Polícia Federal de Goiânia (GO). Diante da recusa, Andressa foi
autorizada a escrever um bilhete para o bicheiro. "Coisas de uma mulher
para o marido. Nada de especial", disse, sem revelar o conteúdo da
mensagem. Um fotógrafo local, contudo, teve acesso ao bilhete.
"Quero que você saiba que é um momento difícil das nossas vidas.
Eu sei que o nosso amor é maior que qualquer dificuldade. Você tem uma
mulher que te ama e nunca te despreza", dizia a mensagem. "Estou orando
por ti", concluiu Andressa.
Cachoeira deixou o presídio da Papuda, em Brasília, e chegou durante a
manhã à sede da Polícia Federal, onde prestará depoimentos nos próximos
dias. Acusado de comandar um esquema de jogos ilegais em Goiás,
Cachoeira deve acompanhar os depoimentos previstos para amanhã e
quarta-feira. O bicheiro, segundo a PF, deve depor no último dia. Até
lá, deve ficar detido na própria unidade da corporação.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram
diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO),
então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu
sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou
amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos
negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar
contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para
expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da
legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a
atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou
na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do
Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do
Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram
envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB),
do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro
Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de
Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos
três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro
parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do
Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a
perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto
dos colegas na história do Senado.
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