Setor de Hemodinâmica do HU
Reconhecido como maior centro de saúde do Estado e referência no Nordeste, o Hospital Getúlio Vargas ainda carece de estrutura física adequada e de pessoal para atender à demanda. Há uma enorme fila de espera por cirurgias no ambulatório integrado do hospital, que o Ministério Público Estadual estima em cerca de 3.500 pacientes, e doentes esperando por mais de dois anos para serem operados, conforme mostrou reportagem do DIÁRIO DO POVO publicada na última terça-feira, 26.
Apesar da fila, toda uma ala do segundo andar está parada, com as macas e enfermarias vazias. A direção do hospital reconhece os problemas - ou pelo menos parte deles. O Ministério Público Estadual cobra providências. Mas se a situação do HGV e a enorme fila de pacientes à espera de cirurgias causam surpresa, pior é o quadro visto no Hospital-Escola da Universidade Federal do Piauí, que está concluído e equipado há pelo menos um ano e meio e ainda não começou a funcionar.
O HU dispõe de estrutura física e material das melhores do país na área hospitalar. Os equipamentos são os mais mo-dernos em tecnologia de saúde do mundo - entre os quais uma máquina de hemodinâmica adquirida ao custo US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões no câmbio atual), monitores paramétri-cos, telas tridimensionais e outros componentes de dez centros cirúrgicos avaliados em R$ 10 milhões. E está tudo parado. Não se aplicou no HU, até agora, nem uma injeção. Esses moderníssimos equipamentos estão montados há quase dois anos, se estragando com o tempo e, pior, muitos deles com a garantia vencida.
O HU novinho em folha e todo equipado, mas inexplica-velmente fechado, e o imenso HGV funcionando com boa parte de sua capacidade ociosa ajudam a explicar por que a saúde do Piauí vai mal, situação que se materializa no drama de centenas de pacientes lotando os corredores do HUT (Hospital de Urgência de Tere-sina) e de milhares de outros sofrendo e correndo o risco de perder órgãos vitais por falta de vagas nas salas cirúrgicas.
Se essa situação existe hoje, porém, não é por falta de dinheiro. Só de recursos aplicados na reforma geral do HGV (R$ 46 milhões aproximadamente), na construção e compra dos equipamentos do HU (R$ 79 milhões) e na construção do Hospital de Urgência de Teresina (cerca de R$ 22 milhões), foram aproximadamente R$ 150 milhões injetados na saúde pública do Piauí nos últimos anos. Neste montante, não entram os mais de R$ 6 milhões repassados mensalmente ao HUT pelo Ministério da Saúde pelos atendimentos e internações através do Sistema Único de Saúde (SUS). Nem outros tantos milhões pagos ao HGV pelas cirurgias realizadas ali.(MG)
DIARIODOPOVO

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